Governo nega licença de Lula para campanha de Dilma

Jornal 'O Globo' noticiou nesta quinta que Lula poderia se licenciar para se dedicar à campanha

Tânia Monteiro e Leonêncio Nossa, Agência Estado

04 de março de 2010 | 17h06

O ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação Social, classificou como "maluquice" a notícia de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva iria se licenciar do governo por dois meses para se dedicar à campanha de Dilma Rousseff.  

 

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De acordo com matéria publicada nesta quinta-feira, 4, no jornal "O Globo", Lula se licenciaria do cargo em agosto e setembro para se dedicar em tempo integral à campanha de Dilma, e em seu lugar assumiria José Sarney, que não disputará as eleições. "É uma maluquice do Globo", afirmou Franklin Martins.

 

No final do ano passado, Lula chegou a comentar com assessores que poderia se licenciar por algumas semanas para subir no palanque de Dilma e ajudar a reforçar a campanha. Os mesmos assessores observaram, porém, que a situação hoje é favorável à ministra, o que dispensa, neste momento, estratégias "radicais". Além disso, a avaliação de alguns desses assessores indica que o presidente Lula garantiria mais votos a Dilma Rousseff no exercício de sua função do que fora do Planalto. De qualquer forma, a preocupação do presidente em não causar problemas jurídicos com o processo eleitoral o levará a participar da campanha de Dilma Rousseff apenas durante os fins de semana.

 

Novas avaliações

 

Embora neste momento o governo afaste a hipótese de uma licença de Lula, alguns assessores ressaltaram que, no decorrer da campanha, novas avaliações serão feitas. Um afastamento do presidente é possível, mas em outro contexto. Os impedimentos impostos pela segurança e pela logística da Presidência, no entanto, sempre serão levados em conta nestas análises.

 

O Planalto se incomodou com a divulgação da notícia de que Lula se afastaria, pois se isso ocorresse quem assumiria o cargo seria o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), alvo de uma série de denúncias nos últimos meses. Os demais nomes da linha sucessória devem ser candidatos - o vice-presidente José Alencar pode sair para o Senado e o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), disputa a indicação para vice na chapa de Dilma.

 

Os assessores do governo lembram que, em 2006, o presidente cogitou se licenciar do cargo para fazer campanha pela reeleição, mas foi demovido da ideia por seguranças e técnicos. Uma licença de Lula criaria a figura inédita do "presidente afastado para campanha", criando uma situação nova em termos jurídicos e políticos. Mesmo licenciado, Lula não deixaria de ser um presidente da República. O Estado é obrigado a garantir a sua segurança e, para isso, precisa usar a estrutura e os meios que a Presidência dispõe, como aviões, carros, médicos e seguranças.

 

Licenciado, Lula enfrentaria uma situação esquizofrênica ao viajar. Como presidente licenciado, ele não poderia usar o avião oficial da Presidência. A utilização de um avião particular, por sua vez, seria inviável e prejudicaria especialmente a sua equipe de segurança. Em 2006, Lula não se licenciou para a campanha e continuou a viajar no avião da Presidência. Neste caso, porém, o PT arcou com a despesa do combustível.

 

'Não tem pé nem cabeça'

 

O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), disse nesta quinta que não há base real na notícia de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva iria se licenciar do cargo, em agosto e setembro, para se dedicar em tempo integral à campanha de Dilma Rousseff à presidência da República. "Isso não tem pé nem cabeça. Nunca foi cogitado pelo presidente. Ele não se afastou nem na campanha dele", disse Vaccarezza. Ele disse que nunca houve uma discussão nesse sentido no Palácio do Planalto.

 

(Com informações de Denise Madueño, de O Estado de S.Paulo)

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