Governo não vai tolerar que produtores rurais se armem, diz ouvidora

A ouvidora agrária nacional, Mariade Oliveira, disse, nesta sexta-feira, em Curitiba, que o governo "não vai tolerar" armamento de produtores rurais. "O armamento é abusivo à sociedade", afirmou. "A reforma agrária é irreversível e será feita pelas formas legais."Ela se referiu principalmente ao grupoPrimeiro Comando Rural (PCR), que está sendo criado no interior do Paraná, mas citou que há 11 Estados seguindo esse comportamento. "A ouvidoria está acompanhando", avisou.Os agricultores que iniciaram o movimento no centro-oeste paranaense têm mais uma reunião na tarde deste sábado em Palmital, a 450 quilômetros de Curitiba. O presidente da Associação de Produtores de Laranjal, na mesma região, Humberto Sá, disse esperar que mais proprietários sejam convencidos da necessidade de se organizar paraa defesa das terras contra o Movimento dos Sem-Terra (MST). "Na pior das hipóteses, já conseguimos imobilizá-los (integrantes do MST)", afirmou.De acordo com ele, aproximadamente 600 famílias de sem-terra, há cerca de 20 dias, começaram a se instalar na estrada de 25 quilômetros que liga Palmital e Laranjal. "Eles fazem barreira na estrada e agridem com xingamentos", disse. "O acampamento está crescendo violentamente."Segundo Sá, a intenção do MST é realizar uma invasão simultânea em várias direções no mesmo dia. Para evitar surpresa, os produtores fizeram uma coleta financeira e contrataram cercade 50 seguranças armados. "Mas a primeira opção é a via política", afirmou o presidenteda associação.Um ofício foi enviado ao governo do Estado relatando a situação e pedindo proteção, mas até esta sexta a associação não havia recebido resposta. Segundo ele, os seguranças têm registro de arma e guia de transporte. "Não jogamos com amesma fraqueza deles (MST)", acentuou.Sá disse que quer um contato com a Comissão Especial de Mediação das Questões da Terra, do governo do Estado. "Não queremos guerra, não queremos confronto, queremos continuar trabalhando", afirmou. Ele também quer uma conversa com representantes do Incra. "Queremos compor, e o Incra para nós é composição."O secretário de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social, Padre Roque Zimmermann, disse que a comissão não receberá o PCR, por não reconhecê-lo como movimento social. "Mas vamos nos manter informados." A ouvidora agrária nacional, pelo contrário, disse que vai conversar com as lideranças do movimento. "Queremos ouvir todas as partes para evitar o confronto", afirmou.

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