Governo não vai punir general que criticou terras indígenas

Ministério da Defesa diz que assunto está superado'; Clube da Aeronaútica manifesta apoio a Augusto Heleno

19 de abril de 2008 | 11h30

Dois dias depois de ter declarado que a demarcação contínua de terras indígenas em região de fronteiras é uma ameaça à soberania nacional, o comandante militar da Amazônia, general Augusto Heleno, reuniu-se na sexta-feira com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e com o comandante do Exército, general Enzo Martins Peri para explicar as declarações. Segundo a assessoria do ministério, a reunião durou pouco mais de uma hora e o assunto foi considerado "superado".O Clube da Aeronáutica manifestou apoio ao general, e, em nota, pediu a Heleno que "não recuasse". "Estamos prontos a apoiá-lo até as últimas conseqüencias, em defesa de sua liberdade de expressão", disse, em seu site.   Veja  também:   Roldão Arruda analisa na TV Estadão a situação na Raposa Serra do Sol  Saiba onde fica a reserva e entenda o conflito na região  Enquete: Você concorda com o modelo de demarcação das terras indígenas que expulsa os não-índios?  Galeria de fotos da Raposa Serra do Sol 'Roraima é do Brasil graças aos índios', diz especialista   A assessoria informou ainda que o resultado da reunião já foi comunicado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que havia pedido explicações sobre as declarações, feitas durante a abertura do seminário Brasil, Ameaças a sua Soberania, realizado nesta semana no Clube Militar do Rio de Janeiro.     Heleno considerou uma ameaça à soberania nacional a reserva contínua de 1,7 milhão de hectares na região de fronteira e ainda disparou sobre as cerca de 600 pessoas da platéia uma frase de efeito: "Não sou da esquerda escocesa, que, atrás de um copo de uísque 12 anos, sentada na Avenida Atlântica, resolve os problemas do Brasil inteiro. Já visitei mais de 15 comunidades indígenas, estou vendo o problema do índio."   Foi como assessor da Casa Militar que o general Heleno contribuiu para o parecer dos militares contrários à demarcação da reserva ianomami. À época, o então ministro da Justiça, Jarbas Passarinho, coronel da reserva do Exército, se definiu a favor da demarcação, mas cunhou no bastidor uma frase que ficou célebre: "Acho que a demarcação não representa perigo para a soberania do País, mas, se eu estiver errado, o meu Exército me corrigirá".   O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentou encerrar ontem a polêmica causada após as críticas feitas pelo comandante Militar da Amazônia, general Augusto Heleno Pereira, à política indigenista do governo que classificou como caótica e lamentável. "O assunto está superado", disse Lula.     Na sexta-feira, o presidente ordenou que o ministro da Defesa censurasse em particular o general e recomendasse silêncio sobre a política indigenista do governo. Para evitar repercussões nos quartéis, não foi aplicada nenhuma repreensão pública e direta ao general.   O presidente evitou abordar a crise com o militar na rápida entrevista que deu, ao sair do palácio de governo, em Accra, Gana, onde participou de assinatura de atos, durante os três dias de visita que está fazendo ao país africano.   Texto atualizado às 14h40   (Com Tânia Monteiro, de O Estado de S.Paulo)

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