Governo não 'trabalha com hipótese' de jogar CPMF para 2008

A afirmação é do ministro José Múcio, que não considera desobstrução do PSDB e DEM no Senado 'provocação'

Tânia Monteiro, do Estadão

27 de novembro de 2007 | 19h22

O ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, disse nesta terça-feira, 27, que o governo "não trabalha com a hipótese" de não aprovação da CPMF este ano, o que obrigaria o governo a ter de esperar 90 dias para que a sua cobrança seja restabelecida, após a proposta passar pelo Congresso. "Não seria bom para o País a noventena. O bom é que nós aprovemos a CPMF. As outras hipóteses nós não contamos com elas", declarou o ministro, em entrevista, no final da tarde. Ele acrescentou ainda "não considerar provocação" o fato de a oposição ter decidido apressar a votação de matérias o Senado como forma de tentar levar o governo à derrota na votação da prorrogação da cobrança do tributo. "Não acho que seja provocação. Eu acho que deveríamos ter apressado antes, já que a necessidade é premente", desabafou Múcio. "Na realidade, não é uma provocação ao governo é uma provocação ao País, em função da necessidade da CPMF, que não é do governo, é da sociedade, da saúde, dos programas sociais", declarou o ministro. Ele lembrou que a votação deve ocorrer em poucos dias. "Todos estão trabalhando pela sua aprovação", disse. Ao ser questionado sobre a previsão dos empresários, de que o governo vai ter de trabalhar com a noventena, o ministro reagiu dizendo que "sempre trabalhou com a hipótese melhor". E avisou: "Bom é que nós aprovemos. Existem muitos brasileiros, responsáveis, trabalhando para que a CPMF seja aprovada e é com a soma destes esforços que nós nos estimulamos em acreditar que vamos votar em tempo hábil". Em momento algum o ministro quis dizer que já teria os 49 votos e brincou com as contas de são feitas de lado a lado: "se somarmos o que achamos que temos com o que eles acham que têm, dá mais do que o número de senadores". José Múcio reiterou que tem procurado a oposição para conversar. Informou que também tem procurado os integrantes do seu partido, o PTB, que se rebelaram dias antes, saindo da bloco do governo. Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também tem dialogado com os parlamentares. O ministro lembrou que muitos senadores são amigos do presidente. Ele não revelou com quem Lula já teria conversado para cooptar votos a favor da CPMF.  "Estamos trabalhando para construir pontes. Isso não quer dizer que tudo termina com a CPMF, com a sua aprovação ou não. Nós temos um Brasil todo para construir pela frente. Temos três anos mais de governo Lula e é fundamental na democracia que haja oposição, mas sem acidez no debate e no diálogo", completou o ministro. O novo ministro descartou a possibilidade de "armar acampamento" no Senado. "Eu achei que ficava melhor conversar com os senadores nos espaços que eles achassem mais convenientes, para não parecer uma invasão do espaço que é próprio deles. Estamos conversando, sempre respeitando as posições de cada um e procurando fazer a forma da conveniência dele", afirmou ele. Disse ainda que está "de portas abertas" para receber os senadores.

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