Governo não terá controle na investigação da PF sobre dossiê

Informação é do ministro da Justiça, que diz que delegado terá liberdade para investigar 'o que quiser'

Felipe Recondo e Fausto Macedo, de O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2008 | 18h46

O ministro da Justiça, Tarso Genro, admitiu nesta quarta-feira, 9, que o governo não terá controle da investigação da Polícia Federal sobre o vazamento de dados  do dossiê com os gastos do cartão corporativo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso. O delegado Sérgio Menezes, responsável pelo caso, terá liberdade para investigar o que quiser, de acordo com Tarso.   Veja também:   Ouça o 'melô dos cartões'  À CPI, diretor da Abin defende sigilo da Presidência ARQUIVO:  Secretária da Igualdade Racial é líder em gastos, revela Estado  Gastos com cartões já somam R$ 9 milhões em 2008 Os ministros caídos  Entenda a crise dos cartões corporativos    "O Ministério da Justiça não pode e não terá o controle dessa investigação. O presidente do inquérito tem autonomia em relação ao próprio superintendente para trabalhar", disse o ministro já na noite de terça-feira. "O ministro da Justiça não tem intervenção, e sequer o delegado presta contas ao seu superior", acrescentou.   Na quarta, após cerimônia no Palácio do Planalto, ele tentou esquivar-se do assunto e reafirmou que o Ministério da Justiça não tem mais nada a ver com o caso. "Deixa o homem trabalhar, deixa o delegado trabalhar", brincou, lembrando a frase utilizada durante a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.   Apesar disso, o ministro reafirma que o único delito nesse caso é o vazamento de informações sigilosas e não a formatação do dossiê. Ele negou que a PF já tenha definido que a apuração chegará aos responsáveis pelo dossiê. "Isso quem diz é a imprensa", afirmou.   Logo que o inquérito foi aberto, o ministro e o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, enfatizaram que a investigação estaria restrita ao vazamento. Saber quem organizou o dossiê, afirmou Tarso, deveria ser apenas alvo de disputa política entre governo e oposição.   Porém, investigadores próximos a Menezes disseram que ele deve ir além da mera identificação do vazador. O delegado pretende, de acordo com esses investigadores da PF, perguntar aos servidores da Casa Civil durante os interrogatórios quem é o responsável pela confecção do dossiê, além de questionar o porquê do vazamento, a finalidade da divulgação dos dados e para quem eles foram repassados.

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