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'Governo não tem que se envolver' em cassação de Cunha, diz presidente do Conselho de Ética

José Carlos Araújo critica Planalto por 'entrar no jogo' para tentar salvar mandato do presidente afastado da Câmara

Vitor Tavares, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2016 | 11h13

SÃO PAULO - O presidente do Conselho de Ética da Câmara, deputado José Carlos Araújo (PR-BA), criticou o governo Michel Temer por tentar impedir a cassação do presidente afastado da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em entrevista à Rádio Estadão nesta quarta-feira, 8. O parlamentar atribuiu a uma “manobra” do Planalto com o PRB - partido da deputada Tia Eron (BA), considerada o voto decisivo no colegiado – o motivo para ter decidido adiar a votação do parecer pela cassação do peemedebista, feito pelo deputado Marcos Rogério (DEM-RO).

"Não é certo o jogo de cartas marcadas. Senti naquele momento que governo entrou no jogo e decidia a favor de Eduardo Cunha. Eu tinha que dar um tempo para que o governo e a deputada repensassem. Esse não é assunto do governo. Esse é assunto da Câmara dos Deputados. Um problema de ética e decoro. Governo não tem que se envolver", disse o presidente do Conselho de Ética.

Araújo, que tem clara posição pela cassação de Cunha, também criticou a atitude de Tia Eron de não aparecer na sessão de terça, 7. Com a ausência dela, quem votaria em seu lugar seria o deputado Carlos Marun (PMDB-MS), aliado do presidente afastado da Câmara. "Dei tempo para que a deputada Tia Eron veja que o Brasil e a Bahia são maiores do que o interesse do governo nesse caso. Ela está refém, prenderam ela na liderança do partido ontem. Ficou claro que ela foi manipulada pelo partido", contou Araújo, ressaltando que o presidente do PRB, Marcos Pereira, atual ministro da Indústria e Comércio, teve reunião no Planalto antes da reunião do Conselho. O governo diz que foram tratados apenas assuntos administrativos.

Na semana passada, Tia Eron havia elogiado o relatório de Marcos Rogério e indicou um possível voto a favor da cassação de Cunha. Após a sessão ser cancelada, a deputada deixou a sede do PRB na Câmara, dizendo que iria participar da votação e que iria analisar o voto em separado proposto pelo deputado João Carlos Bacelar (PR-BA), que pede suspensão de Cunha por três meses e preservação do mandato.

Resposta. Sobre a nota divulgada por Cunha na noite de terça após o cancelamento da sessão, em que o peemedebista diz que Araújo fez uma manobra 'espúria', o presidente do Conselho respondeu que quem é responsável por marcar as sessões do colegiado é ele. "Acho que Cunha é o único deputado que não pode fazer esse tipo de comentário, devido à quantidade de manobras que ele fez, usando deputados a seu serviço. Ele não tem que se meter. Ele é réu", disse.

A previsão de Araújo é que a sessão volte a acontecer na próxima terça, 14, ou quarta-feira, 15, dependendo da agenda do advogado de Cunha.

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