Governo não negociou reformas para valer, diz CUT

O presidente da CUT, Luiz Marinho, afirmou hoje que o governo, até o momento, não negociou "para valer" a proposta de reforma da Previdência com o movimento sindical. "Nós fomos ouvidos, mas negociação para valer não houve da forma como estou acostumado", disse Marinho, após reunião com o ministro da Fazenda, Antônio Palocci. O presidente da CUT se defendeu de críticas dos servidores públicos à sua posição na negociação da reforma previdenciária. Ele disse que essas manifestações não correspondem exatamente à realidade do conjunto dos servidores públicos. Marinho informou que, na próxima semana, vai reunir-se com representantes das entidades de servidores públicos para dialogar sobre o que elas desejam da Central nessa discussão. ?Será sem plenária, sem vaias e sem esse tipo de exibicionismo", afirmou, numa referência à manifestação da semana passada dos servidores contra a reforma, em Brasília. Segundo ele, é possível trabalhar conjuntamente. Questionado sobre a idéia de criação de uma CUT paralela para defender os servidores, ele respondeu: "A divisão não ajuda o principal interessado, que são os servidores públicos". Ele alertou que não pretende fazer uma disputa de cunho ideológico na discussão da reforma. "O que precisamos observar são as demandas reais dos servidores, e ver onde poderemos ser vencedores nessa disputa", afirmou, enfatizando que há, na Central, uma avaliação de que defender a pura e simples retirada da reforma, como o fazem algumas entidades, "seria o caminho mais curto para a derrota". Ele justificou essa avaliação, ressaltando que há apoio da maioria da sociedade e do Congresso à reforma previdenciária. "Por essa razão, seria pouco inteligente ficar batendo numa tecla de pura e simples retirada da proposta", avaliou. "Não vamos ficar encaminhando uma bandeira que tem meramente uma visão ideológica".

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