Governo não entregará cabeça de Cartaxo, diz Gilberto Carvalho

Para assessor de Lula, oposição tenta transformar quebra de sigilo em artimanha para virar quadro eleitoral

07 de setembro de 2010 | 16h57

O governo não entrega a cabeça do secretário da Receita, Otacílio Cartaxo, e a oposição está fazendo das violações de sigilo fiscal dos tucanos uma "artimanha" eleitoral. O resumo do momento político visto pelo Planalto é do chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, e foi feito ao final do desfile militar do Sete de Setembro, na manhã desta terça-feira.

 

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"Por falta de mote, a campanha do nosso adversário se agarra desesperadamente a isso como se fosse uma bala de prata para virar o jogo", afirmou. "Mas pode vir a ser uma bala perdida de uma guerra entre eles mesmos", disse Carvalho, sugerindo que a campanha tucana pode ser alvo de fogo amigo.

 

O chefe de gabinete afirmou que o governo "não vai entregar a cabeça" do secretário da Receita por causa das denúncias de quebra de sigilo. Mas ele disse que os petistas envolvidos, mesmo que suas filiações sejam "tênues", serão expulsos, se as investigações comprovarem que cometeram crime. "É evidente que vão ter de ser expulsos do partido", afirmou. "Não nos interessa ter em nossas fileiras pessoas que pratiquem esse tipo de ato".

 

Ele avaliou que a oposição e a imprensa estão criando fatos e aproveitando a época das eleições. A estratégia não vai vingar porque, disse, "as pessoas têm juízo" e o povo brasileiro "não vai cair nessa armadilha". Ele admitiu, porém, que a descoberta de um esquema sistemático de violações de sigilo fiscal incomoda o governo e o sistema precisa ser aperfeiçoado. "É claro que é constrangedor para nós, quando o governo é guardião do sigilo".

 

Único membro do governo a falar sobre o assunto nesta terça-feira, Carvalho afirmou que para o presidente Lula o caso está entregue à Polícia Federal e só cabe agora aguardar o resultado das investigações para punir responsáveis e corrigir as falhas detectadas na proteção ao sigilo fiscal dos cidadãos. Ele disse que a direção do PT e o comitê da candidata governista nada têm a ver com a violação de sigilo por membros do partido. "Um deles nem lembrava que era filiado. Transformá-lo em petista seria querer contaminar todo o partido, é no mínimo má vontade, má-fé".

 

Pré-campanha. Investigações da Receita e da Polícia Federal comprovaram que desde abril de 2009, dados fiscais de membros do PSDB foram sistematicamente acessados e violados sem motivação legal. Entre as vítimas estão o vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, e Verônica Serra, filha do candidato presidencial tucano José Serra. Os dados acabaram em poder do núcleo de inteligência da pré-campanha de Dilma, que era liderado pelo jornalista Luiz Lanzetta, de onde vazaram para a imprensa.

 

Para Carvalho, nunca passou pela cabeça da direção da campanha mandar produzir dossiê contra adversários. "Jamais se pensou em usar esse tipo de instrumento em campanha, quando temos um governo para mostrar e propostas muito claras para continuar mudando o Brasil". Para ele, não há nenhuma prova até agora que incrimine qualquer pessoa da direção da campanha. "Quando Lanzetta foi afastado ainda era pré-campanha", explicou. "A campanha, uma vez formada, nunca tomou conhecimento desse tipo de instrumento, o qual refutamos".

 

Ele lamentou que a campanha eleitoral deixe de debater propostas para se fixar nesse tema, que a seu ver só interessa "a quem está por baixo". "O adversário, no desespero, achou que essa era a única arma para tentar mudar o quadro", explicou. "Mas nós temos confiança que não será alterado, pelo menos não com esse tipo de artimanha".

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