'Governo não deu duas versões, o dossiê não existe', diz Dilma

Ministra foi convocada a comparecer à Comissão de Infra-Estrutura para falar sobre PAC

da Redação

07 de maio de 2008 | 13h05

A ministra-chefe da Casa Civil,  Dilma Rousseff, voltou a negar nesta quarta-feira, 7, a existência de um dossiê sobre os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua esposa, dona Ruth. Segundo ela, "não existem duas versões" sobre o caso. "Vou começar reiterando o que já foi dito, nós não demos duas cersões. Não há dossiê, só banco de dados".  A ministra foi convocada a comparecer à Comissão de Infra-Estrutura para falar sobre o andamento das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).  Veja também:Fórum: A ida de Dilma ao Senado ajuda a esclarecer o dossiê FHC? Entenda a crise dos cartões corporativos  Dossiê FHC: o que dizem governo e oposição O balanço do PAC Ela explicou que o "banco de dados" começou a ser elaborado a partir de auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU), que criticou o sistema de armazenamento de dados da conta de suprimento de fundos. Dilma explicou que a partir desta auditoria, a Casa Civil começou a organizar os dados do atual governo e que, a partir de pedido do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), começou a fazer a organização dos dados do período anterior a 2003. Ela afirmou que o trabalho era muito grande porque os dados sigilosos e não sigilosos, antes do cartão corporativo, estavam misturados. Segundo a ministra, a Casa Civil conseguiu organizar as informações no período de 1998 a 2002 e que, quando esse período ficou pronto, o senador Arthur Virgílio e o Senado foram avisados que os dados estavam disponíveis. Virgílio, por sua vez, afirmou que houve crime de responsabilidade porque não recebeu os dados que havia pedido à Casa Civil sobre os seus gastos enquanto ministro do governo Fernando Henrique. Dilma respondeu que ele foi avisado por meio dos ofícios 283 e 284 que os dados estavam disponíveis. Afirmou ainda que é contra o vazamento de dados. "Somos enfaticamente contra esse vazamento", disse a ministra, informando que ligou para a ex-primeira dama Ruth Cardoso para esclarecer que o governo não estaria usando dados contra adversários. Disse que tal prática se assemelharia à ditadura militar.   A ministra iniciou seu depoimento nesta quarta-feira, 7, na Comissão de Infra-Estrutura respondendo a uma provocação do líder do DEM, José Agripino Maia. Ao cobrar explicações sobre o dossiê FHC, Maia fez referências à ditadura militar dizendo que a elaboração do documento se assemelha ao estado de exceção E trouxe trechos de uma entrevista de Dilma em que ela admite ter mentido ao regime durante a sua prisão naquela época, o que gerou confusão em seguida.  Um pouco exaltada e emocionada, a ministra respondeu que mentiu, sim, porque era impossível dizer a verdade naquelas condições. "O que acontece ao longo do anos 70 é a impossibilidade de se dizer a verdade em qualquer circunstância. No pau de arara, com o choque elétrico e a morte, não há diálogo", disse. E atacou: "Qualquer comparação entre a ditadura e a democracia só pode partir de quem não dá valor a democracia brasileira".

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