Governo não convoca PF para investigar suposto dossiê de FHC

A ministra Dilma Rousseff quer que a PF, se for inevitável convocá-la, investigue apenas "o vazamento"

Rui Nogueira e Cida Fontes, Agência Estado

06 de abril de 2008 | 19h40

Quinze dias depois de prometer investigar a confecção de um dossiê e o vazamento dos dados coletados em um arquivo da Casa Civil com os gastos do presidente Fernando Henrique e da ex-primeira dama Ruth Cardoso, o governo continua sem convocar a Polícia Federal para investigar o crime. A convocação da PF foi discutida no final de semana em conversas do ministro da Justiça, Tarso Genro, com assessores do presidente da República. A ministra Dilma Rousseff quer que a PF, se for inevitável convocá-la, investigue apenas "o vazamento".  Veja também:Dossiê com dados do ex-presidente FHC  Entenda a crise dos cartões corporativos Forúm: Quem ganha e quem perde com a CPI?  Para discutir o assunto com o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro Tarso Genro cancelou a viagem que faria neste domingo, 6, para Portugal, onde iria participar do 1º Fórum dos Ministros da Administração Interna dos Países da Comunidade de Língua Portuguesa. Oficialmente, o ministro da Justiça também cancelou a viagem a Portugal por causa da "situação crítica" envolvendo a reserva Raposa do Sol (RR), onde agricultores arrozeiros resistem à saída das terras indígenas demarcadas. O diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, estava com o embarque dele marcado para Lisboa na noite de ontem, mas fez várias reuniões com a cúpula da PF, no sábado e domingo, para tratar do dossiê. A tendência é que a PF entre nas investigações, mas o comando da corporação não quer que o Planalto defina o campo de ação, o que daria ao trabalho da PF a marca de uma missão "chapa branca". Uma fonte da PF avaliou para o Estado que considera "inevitável" uma investigação ampla: é crime coletar dados sigilosos e é crime vazar os dados sigilosos, disse. A ministra Dilma trata a coleta dos dados como uma "invasão" nos computadores da Casa Civil e prefere tratar isso como um problema interno e a ser investigado pelo Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), uma espécie de cartório certificador de registros de informática, que é ligado à própria Casa Civil. Diante dessas manobras calculistas, o líder do PSB, senador Renato Casagrande (PSB-ES), diz que há três saídas para a crise envolvendo o Planalto: apresentar as contas do presidente Lula; explicar concretamente a montagem do dossiê ou encerrar a nova CPI exclusiva do Senado por ausência de depoentes. Casagrande não tem dúvidas de que o governo vai montar um esquema para barrar a convocação de autoridades, em especial da ministra Dilma Rousseff, quando a CPI for instalada.

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