?Governo não contém nem os aliados?, diz Bornhausen

As críticas do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci e ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foram interpretadas hoje pelos principais líderes do PFL como o mais claro sinal de ?desorientação? e ?desentendimento completo? na base aliada. Reunidos em Belo Horizonte, os pefelistas aproveitaram o episódio para atacar o governo, que, nas palavras do presidente nacional da legenda, senador Jorge Borhaunsen (SC), ?esfarinhou?. ?Eles já estão batendo cabeças. Prova que o governo esfarinhou. O governo é fraco. O governo não contém nem mais os seus aliados?, disse Borhaunsen. ?Com isso, o que nós tínhamos no ano passado era um governo forte com gerenciamento ruim. Hoje, nós temos um governo que esfarinhou, é fraco e o gerenciamento continua ruim?, afirmou. Para o líder do partido no Senado, José Agripino Maia (RN), a cobrança pela substituição de Palocci e Meirelles feita por Costa Neto na cerimônia de posse do novo ministro do Transportes, Alfredo Nascimento, significa uma ?fratura exposta da base aliada?. ?Eu diria que a governabilidade inspira cuidados. Não é uma suposição não, é uma constatação pelo fato do desentendimento dos partidos da base aliada, PL, PMDB e PT. Não há afinamento?, destacou. O ?fogo amigo? disparado pelo presidente do PL, segundo o deputado José Carlos Aleluia (BA), líder do PFL na Câmara, foi, provavelmente, motivado por ?questões fisiológicas?. De acordo com ele, falta no momento comando ao governo, tarefa antes à cargo do ministro da Casa Civil, José Dirceu. ?Eu entendo que a presença do ministro da Fazenda é uma decisão do presidente e não de um partido aliado. No momento em que o presidente do PL nomeia o ministro dos Transportes e em paralelo pede a demissão do ministro da Fazenda, só mostra uma coisa: não tem comando. O presidente Lula não está governando o Brasil, não está mostrando autoridade?, afirmou Aleluia.Aliado do Planalto, o senador Antônio Carlos Magalhães (BA) foi a voz dissonante entre os caciques do partido. ACM considerou ?errado? o pedido de afastamento do ministro da Fazenda e do presidente do BC e defendeu, com ressalvas, a política econômica do governo. ?Se alguma coisa está dando certo é a política econômica. Agora, não tão certo como desejávamos, mas, evidentemente, já melhor do que se poderia esperar de um governo do Lula?, disse.

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