Governo não aceita novos acampados no Pontal

As famílias que estão migrando para os novos acampamentos de sem-terra em Presidente Epitácio, no Pontal do Paranapanema, no extremo oeste do Estado de São Paulo, na expectativa de serem assentadas, vão ter de esperar mais tempo para conseguir a terra.De acordo com a Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), os programas para a região neste ano contemplam apenas as 1.400 famílias já cadastradas pelo órgão. O Incra também não prevê assentamentos no Pontal a curto prazo, segundo a assessoria do órgão federal.Em Epitácio, além do superacampamento lançado por José Rainha Júnior, do Movimento dos Sem-Terra (MST), que já tem mais de 800 barracos, foi iniciada a formação de outro núcleo pela União dos Movimentos Sociais pela Terra (Uniterra), de grupos dissidentes.De acordo com o Itesp, o atendimento aos novos acampados ocorrerá somente depois de ser atendida a lista dos já cadastrados, o que pode demorar anos. O cadastramento foi feito no ano passado e no início deste pelas comissões de seleção do instituto, integradas também por representantes da Procuradoria-Geral do Estado, Secretaria de Estado da Agricultura, de sindicatos de trabalhadores rurais, câmaras, prefeituras e movimentos sociais.O coordenador do acampamento do MST em Epitácio, Edi Ronan, disse que é obrigação do governo arrecadar mais terras na região para assentar as famílias. "O Pontal tem 1 milhão de hectares de áreas devolutas, e destes, 240 mil já foram discriminados. É só não perder tempo e fazer assentamentos."O prefeito Adhemar Dassie (PSDB) disse que o sistema de saúde de Epitácio pode entrar em colapso. "Já houve um grande aumento no número de atendimentos."Segundo ele, muitas famílias estão vindo do Mato Grosso do Sul e do Paraná, Estados vizinhos. O Itesp informou que essas famílias não têm chance de entrar no cadastro oficial da reforma agrária. Uma das exigências é de que o candidato ao assentamento more há pelo menos dois anos na região.

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