Governo mudará censo escolar para controle do Bolsa Família

O governo federal vai mudar o censo escolar e o sistema de levantamento de freqüência escolar para tentar garantir a obtenção de dados de 100% das crianças que estão hoje no programa Bolsa Família. O programa exige que os filhos de famílias atendidas freqüentem pelo menos 85% das aulas. Mas, hoje, mesmo com a melhora da coleta de informações, o Ministério da Educação só consegue dados de 70% das crianças beneficiadas.A mudança do sistema de freqüência tem duas etapas. A primeira delas foi informatizar todas as escolas e secretarias municipais de educação. No final do ano passado, o ministério comprou e distribuiu para as escolas 14 mil novos computadores. "Nós identificamos que muitas escolas e secretarias municipais de educação não tinham computadores. Fica difícil cobrar uma maior efetividade no envio dos dados quando as escolas não têm o equipamento necessário", explicou o ministro da Educação, Fernando Haddad. Na primeira etapa do novo sistema, as escolas terão que preencher os dados do primeiro censo escolar informatizado que será feito no País. Serão pedidos nome completo, data de nascimento, sexo, cor/raça, nome dos pais, naturalidade, endereço residencial. O governo também perguntará se o aluno necessita de atendimento escolar diferenciado (hospitalar ou domiciliar), se utiliza transporte público, se tem necessidade educacional especial ou se recebe apoio pedagógico. Além disso, as escolas terão que colocar dados sobre o rendimento escolar do estudante. A partir do censo, cada aluno receberá um Número de Identificação Social (NIS), uma espécie de RG único, que servirá para que o governo faça o seu acompanhamento. Depois de criada essa base de dados com o censo escolar, as escolas atualizarão sempre os dados de seus alunos no sistema informatizado, usando o NIS como base. Com isso, a intenção é que se possa acompanhar a freqüência de todos os alunos das escolas públicas, mas com ênfase nos beneficiários do Bolsa Família. "Avançamos muito, de 19% de acompanhamento para 70%. Acima disso entramos no detalhe. Daí a necessidade de mudar o programa e fazer a distribuição dos computadores", explicou Haddad.

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