Governo monta gabinete de crise no Planalto

A poucos metros do gabinete de Temer, as salas de gestão da turbulência vão abrigar, inicialmente, a comunicação e o núcleo jurídico

Vera Rosa e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2017 | 00h39

BRASÍLIA - Apreensivo com o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a ser retomado nesta terça-feira, 6, e com a possibilidade de mais gravações comprometedoras, o governo montou um gabinete de crise no terceiro andar do Palácio do Planalto. A nova estrutura começou a funcionar nas salas em que despachava justamente o quarteto de assessores do presidente Michel Temer que deixaram seus cargos.

O gabinete de crise ocupa agora espaços antes destinados aos ex-deputados Rodrigo Rocha Loures e Sandro Mabel, ao advogado José Yunes e ao ex-vice-governador do Distrito Federal Tadeu Filippelli. Todos caíram com o agravamento da crise. Preso no sábado, 3, Loures é  a principal preocupação do Planalto, que teme sua delação. Braço direito do presidente, o ex-deputado foi flagrado carregando uma mala de R$ 500 mil após acordo de colaboração premiada fechado por delatores da JBS com a força-tarefa da Lava Jato.

A poucos metros do gabinete de Temer, as salas de gestão da turbulência passaram por uma pequena reforma no fim de semana e vão abrigar, inicialmente, a comunicação e o núcleo jurídico, podendo ser usada também para reuniões com ministros mais políticos, como Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência). A ideia é investir na estratégia da “pronta resposta” toda vez que Temer for atacado.

Auxiliares do presidente diziam ontem que ninguém no Planalto tinha segurança sobre o voto de dois ministros do TSE no julgamento que pede a cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer. Recém-nomeados pelo presidente, tanto Admar Gonzaga como Tarcísio Vieira deram sinais desencontrados nos últimos dias.

“Ninguém sabe como é cabeça de juiz. Se tudo der errado, confiamos que haverá um pedido de vista para analisar o processo”, disse ao Estado um ministro, sob a condição de anonimato. Caso essa estratégia jurídica seja usada, Temer ganhará tempo, pois o julgamento acabará adiado.

Clima. Apesar de tentar demonstrar que o governo não está paralisado e cumprir agendas de trabalho, como o anúncio de medidas do Plano Nacional de Segurança Pública, Temer viveu nesta segunda-feira, 5, mais um dia de apreensão. Após passar o fim de semana em reuniões com advogados, que incluiu duas idas a São Paulo em menos de 24 horas, ele autorizou a ofensiva contra o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

A ordem é partir para o enfrentamento. Na avaliação do governo, Janot faz uma “dobradinha” com o relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin,  na tentativa de ampliar o desgaste de Temer.

Até antes das delações da JBS, o Planalto considerava que poderia vencer a ação no TSE pelo placar de cinco a dois. Agora, o cenário é imprevisível, mas há a certeza de que o relator do processo no TSE, ministro Herman Benjamin, votará contra Temer. / COLABOROU CARLA ARAÚJO

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