Governo manobra para evitar ida de Palocci ao Congresso

O governo, com o apoio da presidência da Câmara, manobrou para cancelar as reuniões das comissões nesta quarta-feira que poderiam aprovar convite ao ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, para dar explicações sobre o seu crescimento patrimonial.

REUTERS

18 de maio de 2011 | 11h17

Na noite da terça-feira, a vice-presidente da Casa, deputada Rose de Freitas (PMDB-ES), convocou para a manhã desta quarta um sessão extraordinária no plenário. Pelo regimento da Câmara, quando há sessão no plenário as comissões não podem fazer deliberações.

Com esse artifício, o presidente da Comissão de Fiscalização e Controle da Casa, deputado Sérgio Brito (PDT-BA), suspendeu os trabalhos. O DEM havia apresentado um requerimento para chamar o ministro e esperava aprová-lo nesta quarta.

"Isso é um golpe do governo. É uma manobra contra o Legislativo", afirmou o líder do DEM na Casa, ACM Neto (BA).

A oposição também havia feito um requerimento na Comissão de Finanças e Tributação, cuja sessão também foi cancelada pelo mesmo motivo.

A manobra irritou parlamentares opositores, que se recusaram a participar da reunião de lideranças marcada para as 9h desta quarta. "A presidente me ligou e me chamou para ir à reunião de líder. Eu disse a ela que não iria, porque o diálogo está interrompido depois desse golpe do governo", afirmou ACM Neto.

Descontentes, os opositores conseguiram manter aberta a sessão da Comissão de Agricultura, comandada pelo DEM, e tentaram aprovar um requerimento que já estava na pauta para levar Palocci ao Congresso.

Apesar de ter maioria, o vice-presidente dessa comissão, deputado Lira Maia (DEM-PA), suspendeu temporariamente a votação, porque ACM Neto apresentou um requerimento ao plenário da Casa para convidar o ministro da Casa Civil para prestar explicações sobre o seu enriquecimento a todos os parlamentares.

"Vamos tentar convocar o Palocci no plenário", disse ACM Neto ao deixar a comissão de Agricultura.

O aumento patrimonial do ministro em 20 vezes desde 2006 foi divulgado em reportagem publicada no domingo pelo jornal Folha de S.Paulo. Em notas, o ministro esclareceu que sua evolução patrimonial consta em sua declaração de Imposto de Renda.

(Por Jeferson Ribeiro)

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