Governo manobra e CPI descarta ouvir Nahas e Greenhalgh

Com apenas oito dos 22 integrantes da comissão, a oposição teve que ceder à pressão governista

Ana Paula Scinocca, de O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2008 | 18h35

Maioria na CPI dos Grampos da Câmara, o governo manobrou e conseguiu nesta terça-feira, 15, fechar acordo para tirar da pauta a votação dos requerimentos que pediam a convocação do ex-ministro Luiz Gushiken (Comunicação Social), do investidor Naji Nahas e do ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP). Este último foi flagrado em conversa telefônica na Operação Satiagraha da Polícia Federal pedindo ao chefe do gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, para "dar uma olhada lá" no andamento da investigação contra o banqueiro Daniel Dantas.     Veja também: Presidente do STF justifica libertação de Dantas  Opine sobre nova decisão que dá liberdade a Dantas  Entenda como funcionava o esquema criminoso  Veja as principais operações da PF desde 2003  As prisões de Daniel Dantas   Com apenas oito dos 22 integrantes da comissão, a oposição teve que ceder à pressão governista, mas conseguiu manter em pauta a votação do requerimento que pede a convocação de Dantas, do delegado que comandou o inquérito da Satiagraha, Protógenes Queiroz, e do juiz da 6ª Vara Criminal Federal, Fausto De Sanctis. O magistrado foi o responsável pelos pedidos de prisão dos investigados na Operação Satiagraha, entre eles Dantas, Nahas e o ex-prefeito Celso Pitta.   A votação dos três requerimentos e de outros pedidos de informação foi adiada  porque até as 16 horas - uma hora e meia depois de a sessão da CPI ter começado -, o acordo entre governistas e oposicionistas não havia sido fechado e teve início, em Plenário, a Ordem do Dia.   A pressão para tirar de pauta as convocações de Gushiken, Greenhalgh e Nahas começou logo que a sessão da comissão foi aberta. O relator da CPI, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), advertiu para a necessidade de a comissão não sair do foco, sob o risco de desvirtuar o rumo dos trabalhos. Ele justificou a não votação dos requerimentos alegando que os três não foram vítimas de escuta telefônica ilegal, objeto da discussão. Mas ao ser advertido por jornalistas que foi o próprio Gushiken quem se declarou vítima de escuta por parte da Kroll, contratada por Dantas, Pellegrino desconversou. Diante da insistência dos repórteres disse que "mais adiante, se for detectada realmente a necessidade de o ex-ministro ser ouvido, nós o convocaremos".   Às moscas desde que foi instalada, em dezembro, a sessão da CPI está lotada. A comissão pegou carona na divulgação da Satiagraha, na semana passada, para tentar sobreviver.   Responsável pela apresentação dos principais requerimentos de convocação, o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) avaliou que não havia outra saída que não o acordo. "Era tudo ou nada. Fizemos o acordo e pelo menos vamos conseguir trazer o Daniel Dantas", afirmou. Ele não descartou a possibilidade de a oposição batalhar para a criação de uma nova CPI para investigação, mas advertiu ser mais fácil aproveitar a investigação já iniciada. "Temos de ser realistas. As CPIs estão mais previsíveis e o governo tem conseguido maioria sempre", disse, salientando que ficou claro o "medo" dos governistas em aprovar as convocações.   A sessão está marcada para as 10 horas. Mesmo que aprovados os requerimentos previstos para serem apreciados  é grande a possibilidade de eventuais convocações só ocorrerem em agosto, já que na sexta-feira começa oficialmente o recesso no Congresso. Fruet prometeu tentar fazer com que a CPI funcione durante as férias dos parlamentares. Mas pela disposição dos colegas  dificilmente conseguirá apoio para a idéia.

Tudo o que sabemos sobre:
Operação Satiagrahacaso Dantas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.