Governo Lula tem melhor avaliação desde início de 2003

Presidente passa ileso por crise dos cartões e alcança 66,8% de aprovação; para 52,7%, desempenho é positivo

Carlos Marchi, O Estadao de S.Paulo

19 de fevereiro de 2008 | 00h00

O iceberg dos cartões corporativos passou ao largo: pesquisa CNT/Sensus divulgada ontem mostrou que o governo Lula alcançou em fevereiro 52,7% de avaliação positiva (15,2% de ótimo e 37,5% de bom), contra 13,7% de avaliação negativa (5,7% de ruim e 8% de péssimo) e 32,5% de regular. É o melhor número desde janeiro de 2003, logo após a posse no primeiro mandato, quando a avaliação positiva chegou a 56,6% e a negativa era de apenas 2,3%. Enquete: Você está satisfeito com o governo Lula?O presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue dando mostras de estar envolto por uma blindagem impermeável às crises. O presidente alcançou, em fevereiro, 66,8% de aprovação para seu desempenho pessoal, a mais alta taxa desde dezembro de 2003 (69,9%). A desaprovação ficou em 28,6% (21%, em dezembro de 2003). Pelas medições da Sensus, a pior avaliação do governo Lula (29,4% de ótimo e bom, em junho de 2004) está próxima à melhor do segundo governo FHC (32%, em dezembro de 1999).A explicação para o desempenho positivo de Lula e seu governo, segundo Ricardo Guedes, diretor do Sensus, é a mesma que livrou o presidente de ser afetado por escândalos mais corrosivos que a crise dos cartões corporativos: "Os bons resultados da economia, com muita oferta de emprego e melhoria de renda", opina. No governo, diz ele, Lula implantou um pacto social-democrata em moldes europeus, abandonando as idéias revolucionárias, mas fortalecendo a assistência social. Por último, explica, o governo tem sido favorecido pela ausência de crises internacionais que fustigaram os dois governos FHC.OTIMISMO GENERALIZADOA pesquisa CNT/Sensus mostrou que a excelente avaliação do governo Lula teve um forte estímulo: neste momento, a população brasileira vive uma expectativa extremamente otimista e tende a acreditar que muita coisa vai melhorar nos próximos seis meses: o emprego (58,4%), a renda (55,2%), a saúde (54,4%), a educação (60,5%) e até a segurança pública (46,8%). A crença na melhoria fez com que esses itens subissem entre 7,8 e 12,7 pontos porcentuais desde outubro de 2007, quando foram medidos pela última vez. Tanto otimismo não deixa espaço para notícia ruim: 55,3% já ouviram falar de crise internacional na economia, mas 70,8% reconhecem que não estão preparados para enfrentá-la.Um exemplo claro da blindagem que resguarda Lula é a avaliação da população sobre o escândalo dos cartões corporativos, que provocou a criação da mais nova CPI do Congresso Nacional. Para 83,1%, os cartões devem ser extintos; para 70,2%, os funcionários que o usaram mal devem perder o cargo e devolver o dinheiro; para 74,9%, o escândalo afeta a imagem do presidente Lula. Apesar desses índices devastadores, um porcentual próximo (66,8%) contrariou a resposta anterior e concedeu aprovação ao desempenho do presidente.Mas quando se trata da possível influência de Lula nas eleições municipais, o cidadão separa as coisas. Apenas 9,6% dos brasileiros se dizem eleitores influenciados por Lula e afirmam que um candidato a prefeito indicado pelo presidente seria "o único em que votariam" nas eleições de outubro; 27,2% informam que "poderiam votar" num candidato recomendado por Lula; e 25,9% garantem que não votariam num candidato apontado pelo presidente. Mais prudentes, os restantes 35% dizem que só votam conhecendo o candidato.Os critérios dos eleitores brasileiros para escolher um candidato a prefeito são: ser bom administrador (39,6%), ser atento às questões sociais (25,9%), ter compromisso com a geração de empregos (19,8%) e ser um bom político (11,9%). Para decidir o voto, o mais importante para os brasileiros é ter um contato direto com o candidato (44,2%). Os critérios seguintes são: ver os programas eleitorais nas rádios e televisões (26,3%), ouvir as opiniões de familiares e amigos (12,1%), assistir a comícios (7,8%) e acatar os conselhos de padres, pastores e lideranças comunitárias (4%).

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