Governo Lula se mobiliza contra CPI dos Fundos de Pensão

Avaliação de ministros que integram coordenação foi unânime: PMDB quer investigação para pressionar Planalto

Vera Rosa, de O Estado de S. Paulo,

03 de março de 2009 | 21h52

O governo já se mobiliza para impedir a instalação da CPI dos Fundos de Pensão. Na reunião desta terça-feira, 3, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com ministros que integram a coordenação política do governo, a avaliação foi unânime: o PMDB quer criar a CPI para pressionar o Planalto, que não autorizou a mudança no comando do Real Grandeza, fundo de pensão dos funcionários de Furnas. Veja também:Criação da CPI dos Fundos de Pensão divide peemedebistas "Não podemos vulgarizar nem estabelecer CPI por ressentimento ou falsas interpretações", afirmou o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. "Acho que uma CPI só causaria tumulto agora". Lula também avalia que a abertura de investigações no Congresso, nesse momento, poderia provocar novos atritos na base aliada e prejudicar o governo. Foi com esse argumento que Múcio passou o dia de ontem em conversas com líderes da coalizão e com o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), autor do requerimento de criação da CPI. A tentativa de pressionar o governo é atribuída a Cunha, que gostaria de mudar a direção do Real Grandeza para indicar seus afilhados políticos, mas até agora não conseguiu seu objetivo. O deputado fluminense, que tem grande influência sobre um grupo de parlamentares do PMDB, nega a chantagem e diz que só está interessado em "investigar" os fundos de pensão. Múcio almoçará nesta quarta com líderes de partidos aliados e fará novo apelo para que orientem as bancadas a não assinarem o requerimento de CPI. "Eu confio no bom senso. Acho que, a essa altura, esse problema está superado", disse o articulador político do Planalto. "O governo não teme CPI, mas é evidente que, ao ser vulgarizada, ela atrapalha, principalmente num ano de crise como esse." Para o deputado Mário Negromonte (BA), líder do PP, o governo tem "outros instrumentos" para promover investigações sobre denúncias, não sendo necessária a abertura de uma comissão de inquérito no Congresso. "Partido da base aliada não pode aprovar CPI", afirmou Negromonte. "Nós temos que votar a reforma política e tributária, e não ficar contra o governo." ALENCAR A reunião desta terça da coordenação política contou com a presença do vice-presidente, José Alencar, que recebeu alta no último dia 17, após ficar 21 dias internado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, para a retirada de vários tumores na região do abdômen. Emocionado, Lula abraçou Alencar - que retornou ao trabalho -, apertou suas mãos e lhe deu as boas-vindas.  O vice-presidente contou como foi sua cirurgia, mostrou-se animado com a recuperação e fez várias brincadeiras durante a reunião. Falou da crise financeira mundial e disse que o Brasil está no caminho certo para enfrentar as turbulências. "Nem vou criticar as taxas de juros", brincou ele, provocando gargalhadas, numa referência ao seu assunto predileto.

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