Governo Lula recebe do MST o que plantou, diz Antonio Ermírio

O governo Lula está "recebendo hoje o que plantou no passado", com a nova ofensiva do Movimento dos Sem-Terra (MST), segundo avaliação é do presidente do Grupo Votorantim, Antônio Ermírio de Moraes, que chegou ao hotel Renaissance, onde receberá do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o prêmio "Melhor Empresa dos 30 anos de Melhores e Maiores", concedido pela revista Exame. "O MST é uma coisa revolucionária e desacata o governo. Não existe regra de jogo, porque eu não posso suportar que o MST vá lá e naturalmente diga desaforo ao governo e o governo aceite isso sem dizer nada", afirmou. Para o empresário, o governo Lula não deve continuar sendo conivente com o Movimento dos Sem-Terra. "Pode até ter simpatia pelo MST, mas não pode endossar e dizer: ?Faça mais, porque o que estamos precisando é de barulho´", comentou ele, referindo-se a postura do governo. Antônio Ermírio disse ainda que o presidente da República teve "um ato impensado" ao usar em sua cabeça um chapéu do movimento durante encontro com lideranças do MST em Brasília, nessa semana. Canudos"O MST representa exatamente o que o governo não quer, que é a baderna, ou alguém quer baderna?", questionou. Ele aproveitou para criticar José Rainha, um dos líderes nacionais do movimento. "O Rainha disse que quer criar no Pontal do Paranapanema um novo Canudos. Sabe quantas pessoas morreram em Canudos? Vinte mil pessoas. É isso que ele (Rainha) quer? Uma nova revolução no Brasil? Acho que o Brasil tem que crescer de outra maneira e não na base do tiro", comentou. O empresário garantiu não ter nada contra o MST pessoalmente, que não conhece as lideranças do movimento, mas criticava a postura desrespeitosa dos sem-terra. Ele sustentou ainda que a violência deflagrada ontem no Paraná, quando um fazendeiro reagiu a uma invasão e atirou contra um sem-terra, já era prevista. "Eu já estava prevendo isso, que qualquer dia esses fazendeiros, que são organizados, poderiam reagir e atirar", avaliou. "O tempo é curto e o governo precisa agir com energia".

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