Governo Lula "perdeu rumo", diz Anistia Internacional

A Anistia Internacional afirmou, em relatório anual divulgado nesta quarta-feira, que as violações dos direitos humanos no Brasil aumentaram no ano passado, primeiro ano do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o representante da entidade no Brasil, Tim Cahill, as reformas da segurança pública não estão sendo executadas de forma concreta. "Parece que o governo perdeu um certo rumo", afirmou.O relatório da Anistia diz que as medidas adotadas pelos governos estaduais para combater a criminalidade urbana no Brasil aumentaram as violações de direitos humanos, reforçando uma tendência que existia. A Anistia denuncia a violência dos esquadrões da morte, "formado por policiais ou ex-policiais", que promovem uma "limpeza social" e operam em 15 Estados brasileiros. A entidade compara a política de segurança pública no Brasil com a guerra ao terrorismo. "Existe um discurso, há muitos anos no Brasil, de reforçar a segurança e combater a criminalidade, um discurso muito militarista. A polícia continua sendo militar, usando métodos de repressão e de discriminação", dissse Cahill.O relatório denuncia o aumento dos "assassinatos cometidos pela polícia" e a tortura "sistemática e generalizada" em delegacias e prisões no Brasil. "De acordo com dados oficiais, a polícia matou 915 pessoas em São Paulo (no ano passado). No Rio de Janeiro, entre janeiro e novembro, as forças policiais do Estado mataram 1.124 pessoas", diz a Anistia. A organização denuncia que essas mortes "raramente foram investigadas", pois a maior parte delas é registrada como "resistência seguida de morte". De acordo com a Anistia, o combate ao crime acaba sendo discriminatório e os que mais sofrem são "homens jovens, pobres, negros ou pardos". A entidade sugere como solução uma "reforma profunda dos mecanismos de segurança pública, com um sistema de segurança que defenda toda a população, que trabalhe com a comunidade e para a comunidade, e não de forma discriminatória."

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