Governo Lula não faz barganha política, diz Dilma

Ministra rebate acusações de que o governo esteja loteando importantes cargos em estatais

ELIZABETH LOPES, Agencia Estado

04 de outubro de 2007 | 14h20

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou nesta quinta-feira, 4, que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não faz barganha política. Em sabatina promovida pelo jornal Folha de S. Paulo, a ministra rebateu as acusações da oposição de que o governo está loteando importantes cargos em estatais, como a Petrobras, em troca de apoio no Congresso Nacional. "O presidente Lula não estabeleceu nenhuma mesa de barganha", frisou a ministra.  Veja também:      Dilma Roussef nega ser candidata à sucessão de Lula em 2010  Dilma diz apoiar descriminalização do aborto no País Apesar da afirmação, Dilma ponderou que em um governo de coalizão é necessário haver repartição. "Isso não quer dizer que o PMDB não possa integrar cargos (no governo) porque é um partido da coalizão", observou.   A ministra da Casa Civil negou também que tenha sido a responsável pela indicação de Maria das Graças Foster, para diretoria de Gás e Energia, e José Eduardo Dutra para a presidência da BR Distribuidora. "A indicação foi do governo, e não minha", comentou, destacando que dificilmente alguém é indicado para um cargo estratégico da Petrobras sem ter formação adequada ou sem ter trabalhado na empresa.   Sucessão presidencial   Dilma negou também que seja candidata à sucessão presidencial de 2010. Segundo ela, não interessa ao governo, com apenas dez meses de atividade nesse segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ficar discutindo esse tipo de assunto. "A discussão pode encurtar o mandato, e pessoalmente eu não sou candidata", disse.   Apesar disso, quando foi questionada sobre o nome de outros prováveis candidatos, como o do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), ela ressaltou: "Sem sombra de dúvidas, ele tem todas as condições de ser candidato à presidência da República, porque já deu contribuições importantes ao País".   Ainda sobre política, a ministra ironizou um dos chavões mais utilizados pelo tucano Geraldo Alckmin na campanha presidencial do ano passado. "Desconfiem quando se fala em choque de gestão, porque só quem não geriu é que usa esse termo. Isso é uma maquiagem".   Segundo ela, não se faz modificações na máquina do governo sem um processo que inclua, por exemplo, mudanças estruturais. E quando se faz um choque, em um ano, nos anos posteriores o governo é obrigado a voltar a gastar mais. "Uma coisa é o discurso e a outra é a prática", alfinetou. Questionada sobre o governo FHC, Dilma disse que a gestão tucana teve alguns pontos positivos. "FHC teve méritos, mas isso não significa que eu concorde com a orientação do governo dele", comentou. Ela ainda criticou a política de privatização realizada pelos tucanos.   Aborto   Dilma fez uma defesa da descriminalização do aborto no País. "É um absurdo que não há a descriminalização do aborto no Brasil, pois esta não é uma questão de foro íntimo, mas sim de saúde pública, e precisa ser regulamentada", frisou. Um dos momentos de maior descontração da entrevista, foi quando Dilma revelou sua personalidade: "Sou uma mulher dura, rodeada de homens meigos". E continuou, arrancando risos dos presentes: "Eu nunca ouvi dizer que um homem fosse duro".  

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