Governo libera R$ 600 milhões para conter crise entre aliados

A rebelião na base aliada do governo no Congresso resultou num ataque ao Tesouro. A revolta dos parlamentares, que já vinha se arrastando há mais de duas semanas e se agravou definitivamente nesta terça-feira, obrigou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a convocar a área econômica, que se comprometeu a liberar R$ 600 milhões de recursos das emendas individuais dos parlamentares ao Orçamento deste ano. Foi a das saídas para acabar com a paralisia de três meses dos trabalhos do Câmara, que passa por uma crise política agravada com a disputa pelo comando do Congresso. Diante do impasse, Lula cancelou, na última hora, um almoço com os líderes aliados. Pela manhã, Lula reuniu-se por quase três horas com o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), e com os ministros da Casa Civil, José Dirceu, e da Coordenação Política, Aldo Rebelo, em busca de uma solução para a crise. Ao final, concluíram que o almoço causaria desgastes e constrangimentos desnecessários ao presidente Lula. "Sem ter uma posição unificada da base, o encontro poderia ser um desgaste para o presidente Lula", disse o líder do PSB, deputado Renato Casagrande (ES). Assim como os demais líderes aliados, ele se queixou da falta de liberação de recursos. "Dos R$ 12 bilhões previstos para investimento global do governo, apenas 16% foram executados. É um porcentual muito pequeno", reclamou Casagrande. "Precisamos superar os rescaldos eleitorais e retomar o trabalho e fazer com que o governo cumpra com os seus deveres", completou o vice-líder do governo, Beto Albuquerque (PSB-RS). Pauta trancadaOs líderes de todos os partidos governistas estão intransigentes: só aceitam começar a votar as 21 medidas provisórias que estão trancando a pauta da Câmara assim que o dinheiro do Orçamento for liberado. Esse foi recado levado nesta terça-feira à tarde pelo líder do governo, Professor Luizinho (PT-SP), ao Palácio do Planalto para a reunião com os ministros da Fazenda, Antonio Palocci; do Planejamento, Guido Mantega; José Dirceu e Aldo Rebelo. "Ninguém vai entrar para votar enquanto essa liberação não estiver no papel", advertiu o líder do PL, deputado Sandro Mabel (GO). Os aliados exigem que o governo empenhe todas as emendas dos parlamentares ao Orçamento de 2004, que somam R$ 1,2 bilhão. Reivindicam que 50% desses recursos sejam pagos imediatamente. Até agora, assessores do Planalto asseguram que, além de pagar R$ 600 milhões até o fim deste ano, o governo irá empenhar mais R$ 400 milhões dos recursos de emendas de parlamentares.

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