Governo lança megaoperação para evitar CPI

O governo iniciou nesta quarta-feira uma megaoperação para pressionar os deputados da base governista a retirarem a assinatura e impedir novas adesões ao requerimento de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da corrupção. A preocupação do governo cresceu depois que os deputados evangélicos do PL comunicaram que pretendem assinar, na próxima semana, o requerimento da CPI. Com a decisão do PL, anunciada à tarde pelo bispo Rodrigues (RJ), os partidos de oposição estão confiantes na obtenção, até a próxima quarta-feira, das 171 assinaturas necessárias para a criação da Comissão.Na Câmara, faltam 20 assinaturas para a CPI ser instalada. Nesta quarta-feira, os deputados Hélio Costa (PMDB-MG), Josue Bengtson (PTB-PA) e José de Abreu (PTN-SP) aderiram à criação da Comissão. Mas os líderes governistas estão empenhando-se para que os deputados da base aliada voltem atrás e retirem a assinatura do requerimento. Já conseguiram convencer o deputado Oswaldo Biolchi (PMDB-RS). "E sei de, pelo menos, outros cinco deputados que vão retirar suas assinaturas do requerimento", afirmou o líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP). Para justificar o apoio do PL, que deverá ser formalizado em uma grande cerimônia na terça-feira que vem, o bispo Rodrigues lembrou que o partido está há seis anos na oposição. "Virar governista em um momento como este é cometer suicídio político", sustentou o bispo, comandante da ala evangélica do partido. "O PL quer aparecer como o partido que fez a diferença e, por isso, resolveu assinar agora o pedido de CPI", afirmou. O PL tem 23 deputados, dos quais 15 são evangélicos. Destes, seis já assinaram o requerimento e nove comprometeram-se a assinar na semana que vem. Rodrigues acredita que poderá obter também o apoio dos outros oito deputados do PL que não fazem parte da bancada evangélica.A decisão do PL foi comunicada pelo bispo Rodrigues durante reunião com os partidos de oposição para traçar uma estratégia de obtenção das 171 assinaturas necessárias à criação da CPI. Mais tarde, o bispo confirmou a determinação do partido no plenário da Câmara, durante votação de projeto da previdência. Antes do anúncio, o deputado Luiz Antonio Medeiros (PL-SP) esteve no Palácio do Planalto para avisar que o PL está realmente disposto a assinar o requerimento da CPI. O partido está reivindicando um cargo no governo Fernando Henrique Cardoso. Há cerca de um mês o líder do PL, deputado Waldemar Costa Neto (SP), reuniu-se com o presidente Fernando Henrique para discutir o assunto, quando havia chances concretas dos oposicionistas conseguirem criar a CPI. "Mas depois que o perigo de CPI passou ninguém mais no Planalto quis saber da gente e o líder Waldemar Costa Neto ficou muito magoado com isso", contou o deputado João Caldas (PL-AL), ao afirmar que é "irreversível" o apoio dos deputados do partido à Comissão.Além do apoio do PL, a oposição ainda tem esperanças de conquistar a assinatura de deputados ligados ao senador Antonio Carlos Magalhães (PFl-BA). Até a noite desta quarta-feira, apenas cinco deputados carlistas haviam assinado o requerimento. E na avaliação do líder do PT na Câmara, deputado Walter Pinheiro (BA), apenas sete dos 15 carlistas que ainda não assinaram o requerimento vão acabar aderindo formalmente à CPI.No Senado, os oposicionistas já obtiveram o mínimo necessário de 27 assinaturas e esperam ainda o apoio de, pelo menos, mais três senadores nas próximas horas. O presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), já avisou que não irá retirar sua assinatura. A idéia dos oposicionistas é criar a CPI apenas no Senado, caso não consigam recolher as 171 assinaturas na Câmara, até a próxima quarta-feira. "Não vamos esperar muito porque senão acabamos esvaziando a CPI", argumentou o líder do PT no Senado, José Eduardo Dutra (SE). Os oposicionistas pretendem aproveitar o requerimento de CPI mista e usá-lo para a criação de uma comissão somente no âmbito do Senado. "Subo à tribuna e aviso que o requerimento passará a ser apenas para uma CPI do Senado e quem quiser pode me procurar para retirar a assinatura", explicou Dutra.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.