Governo joga culpa em ACM e vice-versa

A crise energética virou disputa entre aliados e opositores do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que comandou o setor nos últimos anos.Nesta quinta-feira, o senador baiano reagiu às insinuações feitas por vários setores de que é dele a responsabilidade da crise energética, pois o setor sempre foi comandado no governo Fernando Henrique por pefelistas da Bahia, nomeados por ele."O presidente é que escolhe e nomeia os ministros e, portanto, ele é responsável pelos erros e pelos acertos dessas pessoas", afirmou o senador baiano, depois de lembrar que os ministros seguem a política do governo federal.O senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), inimigo ferrenho de ACM, apesar de pertencer ao partido do presidente Fernando Henrique Cardoso, reconheceu que o governo errou ao deixar um setor tão importante nas mãos de um só partido por tanto tempo: os seis anos e meio de mandato."Um dos grandes erros deste governo é a verticalização de poder, e o Ministério das Minas e Energia está há seis anos na mão do PFL", comentou Barros. "O que está acontecendo agora mostra que não foram tão eficientes quanto dizem."O senador Paulo Souto (PFL-BA), aliado de ACM, respondeu às acusações de Barros. "Isso não tem nada a ver com o PFL. Tem de saber onde o governo, como um todo, deveria ter tomado medidas e não tomou", rebateu ele, transferindo a responsabilidade para o Planalto.Ele lembrou que o ex-governador de São Paulo Mário Covas, muitas vezes elogiou o ex-ministro das Minas e Energia Rodolpho Tourinho.O relator do processo que poderá levar à cassação de ACM, senador Roberto Saturnino Braga (PSB-RJ), considera a situação enfrentada hoje pelo País "muito grave". "É tão chocante o que está acontecendo que não consigo prever as conseqüências de natureza política desse problema", declarou Braga, que diz que "a indignação é geral". Ele acrescentou: "Acho que pode até mesmo afetar a estabilidade do governo."Para Braga, tudo o que está acontecendo foi fruto de "uma irresponsabilidade profunda e completa do governo; foi culpa da insistência e manutenção da política de privatização equivocada, que proibiu as estatais de investirem no setor".Segundo o relator, o governo cortou investimentos e os financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e isso está refletindo-se na geração de energia agora.O deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), aliado de ACM e que relata um projeto de reestruturação do setor de energia em tramitação na Câmara, avisou que o "governo acertou" ao apresentar nesta quarta-feira o plano de redução de gasto de energia em diversos setores que não são essenciais."O governo, finalmente acordou para o problema e para a necessidade de ação", comentou Aleluia, depois de ressaltar que, se tivesse começado a prevenir antes, as dificuldades seriam muito menores e a população seria menos penalizada.Mas a senadora Heloísa Helena (PT-AL) acha que as soluções encontradas só trarão prejuízo para as classes menos favorecidas.

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