Governo já superou embate com Forças Armadas, diz Jobim

Discussão começou após lançamento de livro com relatos sobre o período da ditadura

NICOLA PAMPLONA, Agencia Estado

08 Setembro 2007 | 15h24

O ministro da Defesa, Nelson Jobim afirmou nesta sábado, 8, que governo já superou o embate com as Forças Armadas em relação ao lançamento do livro Direito à Memória e à Verdade, com relatos sobre o período da ditadura. "Os militares compreenderam que o lançamento do livro faz parte do processo democrático. Não há nada mais teimoso que os fatos", afirmou, após participar de parada naval em homenagem ao bicentenário do Almirante Tamandaré, no Rio.O vice-presidente José Alencar, que também participou da cerimônia, concordou: "Não vejo disputa entre o ministério e os militares. Tanto que o ministro está aqui hoje, com várias lideranças das Forças Armadas."   Na última sexta, no mais recente episódio da discussão desencadeada pelo lançamento do livro, Jobim ameaçou demitir o comandante do Exército, Enzo Peri, e todos os generais que o apoiassem, em um ato de contestação de sua autoridade. A declaração causou desconforto entre os militares que participaram da cerimônia pelo feriado da independência, mas, para evitar uma escalada da crise, os militares não quiseram comentar o episódio.   Porém, ainda durante o evento, ambos disseram a interlocutores que o assunto estava encerrado e já podia ser considerado "página virada". Um ministro resumiu o episódio, ao contar a cena que assistiu do encontro inicial com troca de brincadeiras entre Jobim e Enzo, dizendo que "cada um fez a sua birra e que, ao final da história, os dois resolveram encerrar o episódio, para tranqüilidade da Nação". O chefe do Estado Maior do Exército, general Luiz Edmundo Maia Carvalho, que ocupava interinamente o Comando da Força Terrestre, quando do lançamento do livro, e que procurou Jobim para lhe dizer que os militares estavam insatisfeitos com a decisão do governo de fazer a solenidade no Planalto, transformando o livro em documento oficial, não estava presente à cerimônia do dia da Pátria.   Apesar do estilo truculento de Jobim, que tem reiterado, sempre que pode, sua autoridade, os militares entendem que ele tem força política para defender os interesses das três Forças que passam por reequipamentos, fortalecimento da indústria de defesa e melhorias salariais. Os dois primeiros pontos estão sendo encaminhados, com o lançamento do PAC da Defesa, pelo presidente Lula. O terceiro, do aumento, deverá ser incrementado por Jobim proximamente, que já defendeu a necessidade de reajuste do salário dos militares. A idéia é aproveitar um estudo de reajuste, que já está no Planejamento, a ser concedido, em duas parcelas. A primeira, de 14%, imediatamente, assim que for aprovado, e a segunda, 11%, a partir da metade do ano que vem.   Neste sábado, Alencar e Jobim comandaram a parada naval de dentro do veleiro Cisne Branco, da Marinha.

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