Governo já comemora vitória na mudança na CLT

O projeto de lei que modifica a legislação trabalhista irá à votação na próxima terça-feira e o governo está certo da vitória. O otimismo é tanto que alguns parlamentares já foram até convidados para uma confraternização na próxima quinta-feira, na Granja do Torto. Mais do que comemorar a vitória, o Planalto quer reunir nesse encontro o que considera sua efetiva base aliada, ou seja, aqueles que se mantiveram fiéis durante a votação de uma matéria impopular. Segundo avaliação dos articuladores governistas, a votação servirá para "separar o joio do trigo".A falha que levou o painel eletrônico da Câmara a "travar" na semana passada, durante a votação, deverá estar sanada até terça-feira. "A informação que tive é que o painel será arrumado a tempo, até porque não estava quebrado", disse o deputado Ney Lopes (PFL-RN), que relatou o projeto da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. "Parece que foi um problema na digitação, um erro danado."Um assessor palaciano confirmou que, após a falha, o painel poderia ter sido utilizado novamente "em dez minutos". A votação manual, segundo explicou, foi feita para "não ter suspeição nenhuma". A divulgação dos dados sobre a votação eletrônica mostrou que o governo teria vencido, com um placar de 255 votos a favor, 205 contra e uma abstenção. Também para evitar futuros questionamentos, o painel foi periciado pela Unicamp. O resultado ficará pronto nos próximos dias.O líder do governo no Congresso, deputado Heráclito Fortes (PFL-PI) confirmou que "está tudo tranqüilo para a votação na terça". Ele disse que, se o painel eletrônico da Câmara não estiver em condições de uso, não vê problemas em uma votação manual. "Já não tinha problema na semana passada, não teremos problema essa semana", comentou.O governo pode até ganhar, mas corre o risco de não levar. É o que avaliou o deputado Paulo Paim (PT-RS). "O governo já perdeu essa batalha, mas não consegue ver", disse. Ele explicou que, mesmo vencendo a votação na Câmara, o governo terá dificuldade em obter a aprovação da matéria no Senado. "O presidente do Senado (Ramez Tebet, PMDB-MT) e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado (Bernardo Cabral, PFL-AM) já avisaram que vão cumprir todos os prazos regimentais de tramitação do projeto, o que significa que a votação não acontece antes de 45 dias, ou seja, ano que vem", calculou."Em ano eleitoral, ninguém vai votar a favor desse projeto contra o trabalhador, principalmente porque dois terços do Senado serão renovados em 2002." Mas, afirma Paim, o problema do governo não é só esse. "O senador Bernardo Cabral já disse que poderá designar um senador do PT para relatar o projeto", disse. Finalmente, o Planalto teria dificuldade no plenário da Casa, onde a maioria formada por PMDB e partidos de oposição é contra o projeto. Por isso, avaliou o deputado, o saldo dessa batalha será negativo para o governo. "Eles só vão desgastar sua base aliada e no fim o projeto nem será votado", disse.Na avaliação de Ney Lopes, a demora na votação do projeto da CLT teve o lado positivo de dar mais tempo e tornar a proposta mais clara para a opinião pública. "Aos poucos, vai-se desfazendo o mito de que o projeto tira direitos do trabalhador", comentou. Ele acredita que, com o tempo, muitas pessoas compreenderam que as negociações poderão ser feitas entre as empresas e os sindicatos mas, se não houver acordo, continua valendo o que está na CLT. "É um estímulo ao sindicato, mas há resistências porque a proposta enfraquece as centrais, principalmente essa pelegagem que só vive dentro de avião", disse o deputado.

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