Governo insistirá na Lei de Biossegurança, diz Rodrigues

O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, disse que o governo vai insistir na aprovação pelo Congresso da Lei de Biossegurança, antes do plantio da safra de soja deste ano, durante entrevista ao programa Canal Livre, da Rede Bandeirantes. "O governo está apostando que esse acordo saia até o dia 20 ou 25 de setembro", adiantou o ministro. Rodrigues afirmou que na semana que vem haverá a tentativa de votação e um projeto por acordo no Senado, seguindo para nova votação na Câmara, já que o projeto foi alterado na Câmara Alta.Ainda durante a entrevista, o ministro defendeu a importância das negociações de acordos de livre comércio com a Alca e com a União Européia (UE). Roberto Rodrigues lembrou que os dois blocos juntos representam 50% do mercado agrícola para o Brasil. "O que nós precisamos mesmo é correr com a negociação com a União Européia e com a Alca", salientou. Ele estimou que um eventual acordo comercial com a UE representaria um incremento imediato de US$ 2,5 bilhões nas vendas de mercadorias agrícolas para o bloco europeu. "E que pode chegar a US$ 5 bilhões: aí é injeção na veia."Segurança no campoO ministro da Agricultura procurou minimizar os conflitos de terra que têm ocorrido no campo nos últimos meses. "O saldo do desenvolvimento sustentado que o Brasil está experimentando agora, esse crescimento que tende a gerar emprego e renda em outros setores da economia, deverá esvaziar as pressões sociais desta natureza. A expectativa que eu tenho é otimista, de uma redução das pressões nessa área", acredita o ministro. "Porque se elas continuarem, de fato se tem uma perspectiva de menos investimento e menos segurança no campo."Crise de abundânciaO ministro da Agricultura alertou que o agronegócio, que é responsável por um terço do Produto Interno Bruto brasileiro, 50% das exportações do País, gerando um superávit de US$ 30 bilhões, poderá enfrentar sérios problemas de armazenagem caso a produção continue evoluindo a taxas de 7% a 10% ao ano. "Nós temos hoje uma rede de armazenagem que tem uma capacidade de 90 milhões de toneladas, o que por enquanto não representa problema", ressalvou. "Passando de 150 milhões de toneladas é que a coisa de complica."Dentro da porteiraPara ele, a solução do problema seria a criação de uma linha de financiamento do BNDES para o aumento da armazenagem pelos próprios produtores. "O Estado pouco ou nada deverá investir na área de armazenagem. Vamos fazer parcerias e financiamentos para o setor privado", frisou o ministro. Ele destacou que no Brasil apenas 5% dos produtos são armazenados na própria fazenda, diante de 20% na Argentina e 40% nos Estados Unidos. "É muito ruim, porque o armazém dá muito mais arbítrio para o produtor comercializar a safra dele. "Nós vamos chegar no final do ano que vem com 16% de armazenagem na fazenda."

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