Governo guarda dez ossadas em seus arquivos

O governo ainda guarda em seus armários dez ossadas retiradas de cemitérios do sul do Pará e norte do Tocantins, região onde ocorreu a Guerrilha do Araguaia (1972-1975). Anteontem, a Secretaria de Direitos Humanos reconheceu oficialmente a ossada de Bergson Gurjão Farias, morto em 1972 num combate com o Exército. A ossada foi retirada em 1996 do cemitério de Xambioá.A ex-guerrilheira e jornalista Regilena Carvalho disse que espera a identificação das demais ossadas guardadas no Ministério da Justiça, em Brasília, e a entrega às suas famílias. "Existem outras ossadas que não podem ser esquecidas em caixas de arquivo sob custódia da Comissão de Mortos e Desaparecidos." Uma das sobreviventes da guerrilha, ela perdeu o marido, Jaime Petit, e os cunhados Lúcio e Maria Lúcia Petit.Uma das ossadas guardados no Ministério da Justiça pode ser do economista gaúcho Paulo Mendes Rodrigues, morto no Natal de 1973. Em 2001, quando a ossada do chefe do Destacamento C da guerrilha foi retirada do cemitério de Xambioá, moradores da cidade disseram que se tratava de Rodrigues. Ele foi um dos mais conhecidos guerrilheiros da região de São Geraldo do Araguaia. O guerrilheiro tinha um sítio no povoado de Caianos.A ossada de Francisco Manoel Chaves, o Preto Chaves, é outra que provavelmente está num armário da burocracia sem identificação. Em 1991, o corpo de um homem de 60 anos, identificado por moradores como Preto Chaves, foi retirado do cemitério de Xambioá e levado para Brasília. Depois, passou pelo laboratório da Unicamp até chegar ao IML de São Paulo, onde está atualmente. O governo alega que não encontrou parentes para fazer a identificação.O armário do ministério também guarda as ossadas de uma mulher com fragmentos de madeira no pulso e outra sem as mãos, ambas retiradas de Xambioá.

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