Governo gaúcho deflagra ofensiva contra o bicho

O governo gaúcho deflagrou uma megaoperação de repressão ao jogo do bicho, para tentar dissipar as suspeitas da CPI estadual da Segurança Pública, de que as autoridades estaduais estão sendo complacentes com a contravenção. Cerca de 60 agentes e nove delegados invadiram, com mandados judiciais, bancas e residências de bicheiros em Porto Alegre, Santo Ângelo, Novo Hamburgo e Estância Velha, apreendendo equipamentos, material de apostas, dinheiro e armas. Mais de 100 pessoas foram detidas, mas apenas as que portavam armas ilegalmente foram autuadas em flagrante."Buscamos comprovar o envolvimento dos bicheiros em outros crimes conexos com o jogo, como a corrupção e a lavagem de dinheiro", afirmou o delegado Carlos Sant, responsável por inquérito sobre o bicho no Rio Grande do Sul. Nos próximos dias, operações semelhantes deverão ser desencadeadas em outros pontos. O objetivo principal da Chefia de Polícia é obter provas contra a chamada "banda podre" da polícia, que extorque e dá proteção a bicheiros.Nos últimos dois anos, 199 inspetores ou escrivães, e 15 delegados, foram afastados de suas funções por denúncias de corrupção. Entre os policiais investigados está o grupo de delegados que acusou o ex-chefe de Polícia, Luiz Fernando Tubino, de ter dito que governo centralizaria o dinheiro do jogo do bicho para usá-lo em obras sociais. Alguns desses delegados já serviram, inclusive, de advogados de bicheiros; outros assessoraram donos de bingos.A CPI marcou para este sábado a acareação entre Tubino e os delegados, mas como o ex-chefe de Polícia não foi localizado, sua presença não está garantida. O último depoimento desta sexta-feira será o do secretário de Justiça e Segurança, José Paulo Bisol.

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