Governo gastou R$ 467 mi com diárias em 2008

Valor, 7% maior que no ano anterior, equivale a uma média de mais de R$ 1,3 milhão ao dia

Vannildo Mendes, O Estadao de S.Paulo

07 de fevereiro de 2009 | 00h00

De janeiro a dezembro de 2008, o governo federal gastou R$ 467,5 milhões com diárias de viagens, o que dá uma média de mais de R$ 1,3 milhão ao dia. O valor ficou 7% acima do ano anterior, quando as despesas com essa rubrica somaram R$ 436,8 milhões. Pela primeira vez nos dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os gastos com diárias, que vinham se mantendo estáveis, subiram mais que a inflação.Os dados consolidados estão no Portal da Transparência, da Controladoria-Geral da União (CGU), que detalha o pagamento de 260 mil diárias a servidores federais da administração direta em 2008. Os números não incluem os órgãos que trabalham em missões sigilosas, como a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Nesse caso, a despesa sobe para R$ 538,3 milhões em 2008, ante R$ 528,8 milhões no ano anterior, variação de apenas 2%.Em seis anos da era Lula, de janeiro de 2003 a dezembro de 2008, o governo gastou R$ 2,45 bilhões com diárias de viagens de funcionários, conforme os dados disponíveis no portal. A média anual foi de R$ 407 milhões, 10% acima da média de R$ 370 milhões anuais verificada no segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.O Ministério do Planejamento relativizou o crescimento dos gastos com diárias, alegando que, descontada a inflação, a variação real foi de apenas 2%. O aumento, conforme a assessoria do ministério, fica ainda mais diluído quando se observa que nos anos anteriores o gasto se manteve estável, com variação perto de zero. A suspeita de descontrole de gastos é rebatida com outros dados comparativos.Para a CGU, mais diárias não significam necessariamente um mal. "Ao contrário, pode ser um indicativo de aumento nas atividades do governo", explicou o órgão, em nota. Na controladoria, que também gastou mais nesse item, as despesas refletiram a maior movimentação de analistas e auditores, em trabalho de fiscalização pelo País. Da mesma forma, acrescenta a CGU, isso ocorre com a PF, Receita, Ministério do Trabalho, a fiscalização da Vigilância Sanitária, as universidades e em órgãos como Funai, Funasa e Ibama.

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