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Governo ganha eleição no Brasil Império e oposição denuncia fraude, manobra e traição

Projeto EstadãoRepública130: personagens históricos narram em tuítes os 30 dias que antecederam a Proclamação da República, em 1889

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2019 | 19h03

Este texto faz parte do projeto EstadãoRepública130

Os resultados das eleições para a Câmara do Rio, em 1889, durante o Brasil Império, deixavam claro que o Partido Liberal – um dos dois monárquicos – saíra vencedor e dominaria o Parlamento. Esse é um dos temas do projeto EstadãoRepública130, em que personagens históricos narram em tuítes os 30 dias que antecederam a Proclamação da República, em 15 de novembro daquele ano.

Nesta semana, o projeto aborda outros fatos do período que antecedeu a Proclamação: a imprensa republicana admite a derrota eleitoral e relata casos de fraudes eleitorais e a farta distribuição de títulos de nobreza feita pelo gabinete liderado pelo Visconde de Ouro Preto como manobra para cooptar eleitores e representantes. Também começam as acusações de malversação do dinheiro público em ações do governo e na subvenção da Corte e critica-se a gestão dos títulos da dívida pública.

O dia a dia do período é acompanhado no projeto por 14 perfis criados no Twitter. São eles: d. Pedro 2º, Princesa Isabel, Joaquim Nabuco, Deodoro da Fonseca, Campos Salles, Quintino Bocayuva, Rangel Pestana, Rui Barbosa, José do Patrocínio, Benjamin Constant, Visconde de Ouro Preto, Rodrigues Alves e o perfil PIPÓCAS, que produz sátiras em versos, assim como fazia a seção Pipocas, publicada pelo jornal Província de São Paulo – que depois virou o Estado. Os tuítes – reproduções e adaptações de frases que retratam a atuação de cada um dos protagonistas no período – poderão ser acompanhados no perfil @_vivarepublica_.

Na segunda quinzena de outubro de 1889, retratada nos tuítes do Estadão República 130, as notícias não são boas para a monarquia, apesar da vitória eleitoral do partido escolhido por d. Pedro II para formar o governo. É que o sobrinho do imperador, d. Luís I, rei de Portugal, vê sua saúde piorar e padres lhe dão a extrema-unção. Espera-se com ansiedade notícias de Lisboa sobre a evolução do quadro clínico do monarca.

Na Província de São Paulo, a aliança entre os republicanos e a dissidência do Partido Conservador no segundo turno das eleições é questionada pelos republicanos que se sentem traídos pelos eleitores conservadores, que teriam preferido votar nos liberais. De fato, dois dos principais líderes republicanos – Campos Salles e Prudente de Moraes – acabam derrotados por candidatos liberais nos distritos em que disputavam o segundo turno. A derrota da coalizão é completada pelo fracasso da candidatura do conservador Rodrigues Alves, um dos artífices da aliança, também ultrapassado pelo candidato liberal em seu distrito.

Na época, o voto era distrital. Se um dos candidatos não obtivesse a maioria no primeiro turno, um segundo turno era realizado com a participação dos dois mais bem votados. Desde a lei Saraiva de 1881, o voto era direto. Poucos, no entanto, eram os eleitores aptos. Um deputado podia ser eleito com apenas mil votos. Os deputados declarados eleitos nas províncias começavam a rumar para Corte, aguardando a abertura da nova legislatura, onde Ouro Preto pretendia apresentar seu plano de reformas com o qual pensava consolidar o poder monárquico e esconjurar a República.

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