Governo faz lista de "boas ações" para os próximos dois anos

O governo federal preparou uma lista de "boas ações" que deverão ser cumpridas nos próximos dois anos, os últimos do mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Em uma reunião nesta quinta-feira entre o presidente e 11 ministros envolvidos com as ações sociais do governo, cada pasta apresentou as suas metas para 2005 e 2006. Entre os pontos otimistas levados pelos ministros está até mesmo a erradicação do trabalho infantil - hoje a estimativa é que 2,3 milhões de crianças trabalhem no País - e alfabetizar mais 8,5 milhões de pessoas. O governo federal ainda decidiu criar um prêmio para as prefeituras brasileiras que mais avançarem nas Metas do Milênio, uma série de objetivos sociais estabelecidos pelas Nações Unidas em 2000 e que devem ser cumpridas até 2015 por todos os países. Essa foi a decisão tomada pelo Palácio do Planalto e anunciada para 11 ministros da área social reunidos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não se sabe ainda se o prêmio será em dinheiro ou um certificado, como será calculada qual o melhor município e outros detalhes do novo programa do governo. O presidente reuniu os ministros para que eles apresentassem como está o andamento do cumprimento das Metas do Milênio, que vão desde o acesso à água potável até a universalização do acesso ao ensino básico. De acordo com o porta-voz da Presidência, André Singer, o presidente considerou o balanço apresentado pelos ministros "muito positivo" e ficou "muito otimista que as metas poderão ser cumpridas pelo Brasil". Apesar da informação oficial do Planalto ser a de que o governo tratou apenas das metas do milênio, cada ministro apresentou, na verdade, as suas metas para os dois últimos anos do governo Lula. Patrus Ananias, do Desenvolvimento Social, por exemplo, apresentou entre as suas metas a erradicação do trabalho infantil no País nos próximos dois anos. Também apareceram a inclusão as 11,2 milhões de famílias pobres no Bolsa Família, construir 50 mil cisternas no Nordeste e estar distribuindo 1,66 milhão de cestas básicas por ano. Na educação, o ministro Tarso Genro colocou entre suas metas a criação de sete novas universidades federais nos próximos dois anos, incluindo a já anunciada Universidade do ABC, em São Paulo. Também aparecem a implantação do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Básico (Fundeb), o controle freqüência digital nas escolas. A alfabetização de adultos tem como meta 8,5 milhões de pessoas em 2005 e 2006 - esse número, somado aos cerca de 5 milhões que foram alfabetizados em 2003 e 2004, não chegam à meta inicial de 20 milhões falada no início do governo Lula. O prêmio criado pelo governo - que ainda não tem nome - deve ser entregue pela primeira vez em 2005, durante a Semana da Solidariedade, que acontece em agosto. Caberá aos ministérios indicar à Presidência quais são os municípios que devem ser premiados em suas áreas. Aparentemente, nem mesmo o Palácio do Planalto sabe ainda como deverá funcionar o novo projeto. Em pelo menos algumas das metas do milênio, no entanto, o Brasil enfrenta problemas, apesar do otimismo do presidente. O combate à tuberculose, por exemplo, ainda é uma das maiores dificuldades do País. Hoje, o Brasil é o 15º do mundo em número absoluto de casos. São 85 mil novos doentes por ano. A redução da mortalidade materna também é outra dificuldade do País. Os números, considerados ainda muito altos, são difíceis de controlar. Além disso, boa parte das mulheres brasileiras ainda não faz nem mesmo os exames pré-natal.

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