Governo faz alerta a caminhoneiros

O governo poderá suspender a negociações com os caminhoneiros, caso a greve da categoria, anunciada para segunda-feira pelo Movimento União Brasil Caminhoneiro, comprometa o abastecimento de gêneros alimentícios e de combustíveis nas cidades e interfira no direito de ir e vir das pessoas. O alerta partiu dos ministros dos Transportes, Eliseu Padilha, e da Justiça, José Gregori, em nota divulgada no início desta noite. Os ministros anunciam ainda, na nota, que o governo pedirá ao Congresso urgência na tramitação do projeto de lei que regulamenta a profissão de caminhoneiro e enviará, nos próximos dias, um outro projeto disciplinando o transporte rodoviário de cargas. "Houve um significativo avanço nas questões apresentadas pela categoria", destacam os ministros. Eles ainda reconhecem ser necessário aprofundar as discussões em torno de outros itens da pauta apresentada pelos caminhoneiros. O governo avalia que a greve anunciada para segunda-feira não será deflagrada, em função das negociações iniciadas com um grupo de entidades da categoria. Na nota, Padilha e Gregori lembram que os os representantes dos caminhoneiros, com exceção de José Fonseca, vice-presidente do Movimento União Brasil Caminhoneiro, foram unâmines em defender a continuidade das negociações com o governo. O líder do Movimento União Brasil Caminhoneiro, Nélio Botelho, reaafimou que a categoria irá mesmo deflagrar greve na segunda-feira. "A greve é para valer", disse, acrescentando que o movimento teria a adesão do MST e de donos de postos de gasolina. A perspectiva de Botelho é de que o movimento reúna um milhão de manifestantes. A ala de caminhoneiros liderada por Botelho, que representa apenas uma parte dos 1,3 milhão de caminhoneiros em atividade no País, reivindica livre acesso aos pedágios, seguranças nas rodovias, uma tabela referencial de fretes e a volta do Fundo Rodoviário Nacional. O fundo era administrado pelo Departamento Nacional de Estradas e Rodagem (DNER) antes da privatização das rodovias federais. Botelho garante que a paralisação dos caminhoneiros será pacífica e não deverá haver bloqueio de rodovias federais. A idéia dos organizadores do movimento é parar os caminhões nos postos de gasolina e nos acostamentos das estradas.

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