Governo faz acordo para rastrear verba nas Bahamas

O governo brasileiro firmou, na semana passada, um acordo com as Bahamas - um dos principais paraísos fiscais do mundo - que vai permitir o rastreamento de parte do dinheiro desviado das obras do Fórum Trabalhista de São Paulo, que ainda estaria em bancos de lá. O acordo permite o repatriamento dos recursos e apreensão dos bens adquiridos pelos envolvidos de forma ilícita. Segundo o ministro da Justiça, José Gregori, com um simples telefonema ou o envio de um fax, o governo brasileiro pode congelar a movimentação dos correntistas, desde que eles estejam sob investigação no País. "Quando as nossas autoridades começavam a investigar, o usuário da conta logo movimentava o dinheiro e não deixava nada nas contas. Agora, a partir das nossas suspeitas, o governo de Bahamas já congela a movimentação", diz o ministro. Com o acordo, o governo brasileiro poderá reaver parte do dinheiro desviado das obras do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) em São Paulo. Integrantes da força-tarefa formada pelo governo para investigar o roubo acreditam que ainda existem recursos depositados em bancos das Bahamas, apesar de investigações indicarem que o dinheiro também foi parar em paraísos fiscais da Europa, onde o acesso é mais difícil. Conforme Gregori, o acordo foi altamente benéfico para o Brasil, já que o governo das Bahamas abriu todas as possibilidades para a formalização do convênio. "As autoridades locais foram de extrema boa vontade", assegura Gregori. Entre os pontos principais, o ministro destaca a possibilidade de o País recuperar todos os produtos provenientes de crime; busca e apreensão de dinheiro proveniente de corrupção, tráfico de drogas e armas, mesmo que não haja legislação punindo o correntista. O governo brasileiro não tem, ainda, idéia de quantos brasileiros depositam legalmente ou ilegalmente em bancos das Bahamas, mas uma investigação que vem sendo feita detectou parte dos recursos do TRT e de outros tipos de fraude. Uma delas, de origem tributária, não é coberta pelo acordo, mas isso não preocupa as autoridades brasileiras. "A partir do momento em que nós conseguirmos comprovar que o dinheiro é de delito tributário, mas que serviu para omitir bens, ele também será bloqueado", explica Gregori.

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