Governo fará nova negociação com AIEA em 2005

O Itamaraty esclareceu nesta quinta que uma nova negociação do Brasil com a Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) deverá ocorrer em 2005, antes de a planta de enriquecimento de urânio de Resende começar a abastecer as usinas Angra 1 e 2. A negociação dessa segunda etapa deverá trazer novamente uma missão de inspetores da agência com o objetivo de constatar se o processo de enriquecimento cumpre com as salvaguardas definidas pela AIEA.A previsão inicial é de que a produção efetiva se dê dentro de seis a oito meses. De acordo com a assessoria do Palácio do Itamaraty, a primeira parte de entendimentos foi concluída "com sucesso" no dia 18, ao fim da visita de três dias de uma missão da entidade. Naquela ocasião, os inspetores constataram que as instalações de Resende se destinam ao desenvolvimento do elemento atômico, exclusivamente, para a geração de energia elétrica e autorizaram o início da fase de testes de produção, chamada de "comissionamento".O Ministério das Relações Exteriores, Eduardo Campos, informou ainda que, a cada etapa do projeto de enriquecimento, a usina de Resende passará por uma nova inspeção da AIEA. A maior preocupação da agência é constatar se o teor do combustível produzido limita-se aos níveis destinados à geração de energia elétrica ou se os supera - o que seria indício de desvio do material para a fabricação de armamento nuclear.Desencontro Um dia depois de desmentir o governo brasileiro, a AIEA admitiu que chegou a um "acordo de princípios" com o Brasil no que se refere às inspeções das instalações de Resende.A confusão ocorreu depois que o ministro Eduardo Campos tornou público o acordo antes da assinatura de fato do documento. O anúncio do ministro pegou a direção da agência de surpresa. Melissa Fleming, porta-voz da agência da ONU, argumenta que o serviço de imprensa da AIEA foi orientado por "altos funcionários" da entidade a negar à imprensa estrangeira a conclusão do acordo. Daí a negativa original.Coube a El Baradei afirmar que um entendimento com o Brasil estava fechado. Funcionários da agência contam que ele ainda teria ficado irritado com a maneira que seus assessores traduziram a posição da entidade à imprensa mundial.

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