Governo exerceu maioria para blindar Dilma na CPI, diz Múcio

Ministro diz, no entanto, lamentar que a presidente da comissão force a convocação do ministro Jorge Félix

TÂNIA MONTEIRO, Agencia Estado

26 de março de 2008 | 15h08

O ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, reconheceu nesta quarta-feira, 26, que o governo exerceu a maioria ao votar pela rejeição da convocação da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para depor na CPI dos Cartões Corporativos. "A nossa base entendia que não havia motivo para isso e exercemos a maioria", afirmou. Ela prestaria esclarecimentos sobre o suposto vazamento de dados considerados sigilosos da família do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.   Veja também:   FHC diz que Lula deve seguir seu exemplo e divulgar gastos ENQUETE: A CPI dos Cartões deve quebrar sigilo de Lula e FHC?  Entenda a crise dos cartões corporativos   FHC quebra o próprio sigilo e tucanos pressionam CPI a abrir gasto de Lula No entanto, Múcio lamentou a ameaça de convocação do ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Jorge Armando Félix. "É isso que nós lamentamos", disse Múcio, referindo-se à ameaça da presidente da comissão, Marisa Serrano (PSDB-MS), de convocar o general, mesmo sob o uso da força. "O bom é que a CPI faça seu trabalho de esclarecimento sem precisar que haja o enfrentamento político." O ministro afirmou que vai conversar com as lideranças no Congresso para saber como isso vai ser administrado já que o ministro Félix está de férias e fora do País.Para Múcio, a decisão da CPI de rejeitar a convocação de Dilma Rousseff foi soberana. "Nós não podemos politizar neste momento. A base está mobilizada e isso é da democracia." Ele confirmou que adiou sua viagem para Recife para acompanhar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, hoje, por causa da comissão. "É fato. Foi por causa da preocupação com a CPI. Imagina que o presidente foi para o meu Estado e eu desejava muito estar lá agora. Mas a responsabilidade pesou mais e eu mesmo achei que deveria ficar", afirmou.Diante da rejeição da convocação da ministra, José Múcio espera agora que a CPI avance. "Nós torcemos para que a CPI avance. Não tem nada embaixo do tapete e, por isso, a iniciativa da CPI partiu do próprio governo. De maneira que queremos que, sem açodamento político, sem espírito de revanchismo, sem aquela preocupação de atrapalhar quem quer trabalhar, desejamos que a CPI tenha amplo sucesso." Múcio disse que só se houver necessidade a ministra Dilma comparecerá à comissão. "Mas acho que tudo será esclarecido dentro da CPI", disse.

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