Marcos de Paula/AE - 16/07/2011
Marcos de Paula/AE - 16/07/2011

Governo evoca o PAC para rechaçar paralisia

Dilma quer aproveitar o recesso parlamentar e implementar uma agenda positiva como vacina à crise nos Transportes

Vera Rosa e Tânia Monteiro, de O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2011 | 23h00

BRASÍLIA - Na tentativa de mostrar que o governo não está paralisado pela crise envolvendo o Ministério dos Transportes, a presidente Dilma Rousseff encomendou à equipe um pacote de anúncios para criar agenda positiva.

 

Dilma vai lançar versões regionais do plano batizado como Brasil Sem Miséria, em viagens pelo Nordeste, e também pediu à ministra do Planejamento, Miriam Belchior, que apresse um novo balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

 

Depois da revelação de que o Ministério dos Transportes superfaturava obras em rodovias federais, previstas no PAC, Dilma exigiu outra prestação de contas do programa, que deve ocorrer até o início de agosto. As denúncias de que o esquema nos Transportes abastecia o caixa do PR derrubaram o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, e mais seis secretários e diretores da pasta e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). As demissões, porém, não acabaram.

 

A ideia da presidente é aproveitar o recesso parlamentar para bater na tecla de que a crise é "página virada" e que ela está preocupada com a gestão do governo. Cinco reuniões sobre investimentos do PAC estão marcadas para esta semana. Na tarde de segunda-feira, 18, Dilma se encontrou com o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, e tratou dos investimentos em recursos hídricos e irrigação. Nesta terça-feira, 19, o foco serão as ferrovias e rodovias e na quarta-feira, 20, haverá duas reuniões: uma sobre habitação e saneamento e outra sobre o PAC dos aeroportos. Na quinta-feira, 21, a presidente voltará a discutir sobre estradas.

 

Levantamentos de opinião pública em poder do governo indicam que Dilma passou a imagem de "firmeza" ao demitir rapidamente acusados de corrupção nos transportes. Em conversas com auxiliares, no entanto, ela disse que faz questão de mostrar que o PAC não foi "contaminado" por superfaturamentos de obras. Segundo relatório de gestão do próprio Dnit, enviado ao Tribunal de Contas da União (TCU), a repartição elevou o valor dos contratos feitos com dispensa de licitação em 33%, de 2009 a 2010.

 

Sem miséria. Além de pôr o PAC novamente na vitrine, Dilma decidiu fazer propaganda do Brasil sem Miséria. De acordo com números divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento Social, com base no Censo de 2010 do IBGE, há no Brasil, hoje, 16,2 milhões de pessoas em situação de pobreza extrema. O Brasil sem Miséria foi lançado no dia 2 de junho, no Palácio do Planalto, mas acabou ofuscado pela crise que abateu o então ministro da Casa Civil, Antonio Palocci.

 

Uma reunião entre Dilma e governadores do Nordeste será realizada no início de agosto, com o objetivo de definir estratégias de divulgação do programa. Em jantar há uma semana com a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, senadores do PT disseram que falta "uma marca" ao governo Dilma e propuseram o relançamento do Brasil sem Miséria.

 

Orientada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente vai pôr o pé na estrada para "vender" o plano de erradicação da pobreza e também dar mais entrevistas a rádios e emissoras de TV do interior.

 

"Lula fazia propaganda sozinho, mas agora é preciso caprichar na divulgação dos programas", disse o senador Delcídio Amaral (PT-MS).

 

Os parlamentares do PT também querem que Dilma apareça como a "comandante" das obras da Copa de 2014. A avaliação no Palácio do Planalto e no PT é a de que atrasos em obras nos estádios e problemas nos aeroportos não podem continuar, sob pena de destruírem a imagem de boa gestora de Dilma.

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