Governo estuda barrar carne argentina

O governo brasileiro decidirá na próxima semana se irá fechar a fronteira com a Argentina para a entrada de carne ou boi vivo proveniente daquele país por causa da suspeita da existência de novos focos de febre aftosa. O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, receberá nesta segunda-feira relatório conclusivo sobre a inspeção feita por veterinários brasileiros no rebanho argentino. Se o documento indicar a existência destes focos, Pratini deverá determinar o bloqueio às importações imediatamente. "Caso o bloqueio seja determinado tudo será feito dentro das normas estipuladas pela Organização Internacional de Epizootias (OIE)", garantiu assessores do Ministério da Agricultura. A OIE é o principal colegiado do mundo no trato sobre saúde animal.Uma equipe de veterinários brasileiros esteve na Argentina entre os dias 29 de janeiro e 8 de fevereiro, depois que o governo do Estado do Rio Grande do Sul instalou barreiras nas estradas que dão acesso à Argentina para impedir a entrada de carne bovina. O governo gaúcho alegou à época que a imprensa argentina vinha publicando uma série de matérias informando a existência de novos focos da doença. A principal preocupação do governo Olívio Dutra (PT-RS) era uma nova infecção do rebanho gaúcho, o que atrasaria ainda mais o reconhecimento do Estado como área livre de aftosa sem vacinação, melhor grau de avaliação feito pela OIE para regiões produtoras de carne.Pratini disse à época que não poderia fechar as fronteiras do País simplesmente por "informações de jornais". Em acordo com as autoridades sanitárias da Argentina foi decidido então que uma equipe de veterinários brasileiros iria ao país para verificar a existência ou não destes focos de febre aftosa. De acordo com dados do Ministério da Agricultura, o Brasil exportou no ano passado um total de US$ 6,2 bilhões em produtos para a Argentina e importou US$ 6,8 bilhões. As vendas de carne brasileira para aquele mercado somaram US$ 360 mil enquanto que os argentinos venderam US$ 32,5 milhões em carne "in natura" ou industrializada para o Brasil.

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