Adriano Machado / Reuters
Adriano Machado / Reuters

Governo escolhe ex-diretor da Band para substituir general no comando da EBC

Indicado por Wajngarten, José Emílio Ambrósio tem a missão de tornar o conglomerado de emissoras de TV, rádios e agência de notícias mais eficiente

Jussara Soares, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2020 | 14h06

BRASÍLIA - O ministro das Comunicações, Fábio Faria, já escolheu o novo diretor-presidente da Empresa Brasil de Comunicações (EBC). Nos próximos dias ele deverá nomear José Emílio Ambrósio, ex-diretor da Band, para o posto ocupado atualmente pelo general Luiz Carlos Pereira Gomes. O militar está no cargo desde agosto de 2019, indicado pelo ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, e é alvo de críticas pelos funcionários do conglomerado de mídia estatal  – a empresa responde pela TV Brasil, pela Agência Brasil e por diversas emissoras de rádio, incluindo a Rádio Nacional.

Até maio, Ambrósio ocupava o cargo de diretor da Band, responsável pela área de Esporte e Operações, mas foi desligado quando a emissora fez uma reestruturação em seu organograma. Antes, atuou por 11 anos, entre 1999 e 2011, como superintendente de Jornalismo e Esporte da Rede TV!.  Na Rede Globo, trabalhou 14 anos, onde começou como editor e chegou ao cargo de diretor de Operações Jornalismo e Esporte.

O nome do ex-diretor da Band foi levado por Fábio Wajngarten, secretário-executivo das Comunicações, ao ministro Fábio Faria, que o aprovou. O novo presidente da EBC terá a missão de  tornar o conglomerado de emissoras de TV, rádios e agência de notícias mais eficiente. 

Paralisação

Ao ser nomeado há dois meses como ministro, Faria se comprometeu com o presidente Jair Bolsonaro, que defende a privatização da EBC, a melhorar a gestão e a “enxugar” a companhia.  Este processo é considerado essencial para que a venda possa ser viabilizada.

Com a saída dada como certa, o general Pereira Gomes apresentou um novo plano de carreiras para a EBC no início de julho. Na terça-feira, 11, os funcionários fizeram uma paralisação de 24 horas alegando que a proposta não levou em consideração dez anos de negociação. A mobilização, segundo apurou o Estadão, também foi motivada pelo projeto de privatização e por verem censura ao trabalho da equipe.  Os empregados reclamam também da presença de militares em cargos de assessoria da empresa.

Com a chegada de Ambrósio, ele também deverá atuar na recriação da TV Brasil Internacional. A programação do canal será voltada ao público estrangeiro no momento em que o País enfrenta uma crise de credibilidade que ultrapassa a fronteira doméstica. Como o Estadão mostrou em julho, uma das ideias do ministro das Comunicações é tornar disponível o conteúdo da TV Brasil Internacional pelo serviço de streaming, para ser acessado por smartphones, tablets e televisores ligados à internet, além de usar programas já realizados pela EBC.

 

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