Governo elogia ultimato a Bové

O presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro da Justiça, José Gregori, ficaram satisfeitos com a iniciativa da Polícia Federal, em dar um prazo para o ativista francês José Bové deixar o Brasil. A avaliação de toda a cúpula do governo federal é de que ficou demonstrada a autoridade para cumprir a lei e reprimir quaisquer manifestações de estrangeiros em território brasileiro. Bové ajudou a arrancar soja de um terreno da multinacional Monsanto, em manifestação organizada pelo Movimento dos Sem-Terra (MST). Nem José Gregori e nem Fernando Henrique tinham feito, até o final da tarde, pronunciamentos públicos sobre o caso Bové. Mas, dentro do governo, não pararam os telefonemas para elogiar o "ultimato" da Polícia Federal. A partir de monitoramento da PF e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o governo temia que outras iniciativas que já estavam sendo planejadas pelos manifestantes pudessem ter repercussões negativas. Bové, conforme foi comentado dentro do governo, poderia ajudar a ressuscitar as ações radicais do MST. Passada a fase de detenção de Bové na Polícia Federal, e mesmo com liminar da Justiça em favor do manifestante, o caso virou piada em alguns ministérios, ontem à tarde. Um ministro de Estado, que preferiu não ter seu nome publicado, disse que os franceses poderiam "importar" por alguns dias o "Bové brasileiro", referindo-se a João Pedro Stédile, o principal líder do MST. Apesar da confirmação, por setores da PF, de que foi José Gregori quem mandou dar um ultimato a Bové, no Ministério da Justiça a versão oficial é que a PF tem "autonomia" mas resolveu "consultar" Gregori, já que a medida poderia ter repercussões políticas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.