Governo e prefeitura de SP buscam afinar parceria

Os secretários de governo do Estado de São Paulo, Antonio Angarita, e da Prefeitura paulistana, Rui Falcão, se reúnem amanhã para avaliar o andamento das parcerias e discutir a melhor forma de prosseguir o trabalho conjunto nas áreas social e de infra-estrutura. Apesar das divergências entre PSDB e PT, é consenso que a manutenção das parcerias beneficiará as duas partes, diz uma fonte da Prefeitura paulistana, que aposta inclusive num encontro entre o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e a prefeita Marta Suplicy (PT), nos próximos dias, para fazer um balanço e anunciar novos projetos.Apesar do interesse demonstrado pelos dois governos, a agenda eleitoral de 2002 é que deve ditar as prioridades nessa área de parcerias. O setor que estiver na berlinda - e segurança, por exemplo, deve ser um deles -, deverá receber mais atenção. Uma questão que pode ser abordada no encontro de amanhã é o acordo firmado pelos dois governos no início do ano, logo após a posse de Marta. Em fevereiro, o governo paulista se comprometeu a liberar R$ 180 milhões, recursos que seriam destinados à construção de 4.500 casas populares (R$ 100 milhões), cinco piscinões (R$ 40 milhões) e seis Centros de Detenção Provisórios (R$ 40 milhões).Na época do anúncio do acordo ficou acertado que a Prefeitura cederia os terrenos e seria responsável pela manutenção dos prédios construídos. Um mês depois, a prefeita e o governador protagonizaram cenas públicas de desentendimento. O principal motivo foi o tema da segurança pública. A Prefeitura ofereceu ajuda ao governo paulista para desativar o Carandiru. Alckmin não aceitou.A questão da segurança foi foco, novamente, de bate-boca entre os dois governantes poucos dias depois. Em evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), no final de março, Alckmin reagiu à cobrança da prefeita sobre o policiamento na região central da cidade. O governo estadual havia se comprometido a aumentar o efetivo no centro em 600 Policias Militares. Alckmin contra-atacou dizendo que a prefeita deveria colaborar liberando cerca de 2,7 mil PMs que ajudam a Prefeitura a monitorar o trânsito em São Paulo e a "multar" motoristas.O Rodoanel, maior obra viária em andamento do País, também é motivo de divergência entre o Estado e a Prefeitura. Em abril, a Prefeitura apontou erros na construção. Um dia depois, o governador "convidou" o governo municipal a colaborar com a obra. Pelo acordo, o Estado é responsável por 50% da obra e a Prefeitura por 25% e a União por outros 25%. O conflito também atinge vereadores e deputados estaduais dos dois partidos. Não há uma sessão, na Câmara ou na Assembléia, sem trocas de acusações mútuas "de prática de oposição sistemática"."Eles (petistas) se apegam a cada ponto possível para criar atrito, seja denúncia requentada, seja impedir a rápida tramitação de projetos que visam beneficiar a população", afirmou o líder do governo na Assembléia Legislativa paulista, deputado Duarte Nogueira. "Isso ocorre também nas cidades do interior em que o PT é governo municipal", disse Nogueira, referindo-se à relação "deteriorada", que atrasa a implantação de projetos do governo paulista. Nogueira cita como exemplos a demora na instalação do programa Bolsa-Escola nas cerca de 30 cidades administradas pelos petistas.Já o líder do PT na Assembléia, deputado Carlinhos Almeida, afirmou que a grande diferença entre os dois partidos "é que o PT faz oposição propositiva e o PSDB demagógica e irresponsável". Segundo ele, os partidos têm propostas bastante diferenciadas. "Mas o papel da oposição do PT é de investigar e analisar. Já o PSDB, por exemplo, queria investigar os contratos de lixo da Marta e não os do Maluf (o ex-prefeito Paulo Maluf). Quando o PSDB está na oposição, tem uma atitude não criteriosa", disse Almeida, referindo-se ao esforço travado pelas duas legendas para instalação de CPIs na Assembléia Legislativa e na Câmara Municipal.No legislativo municipal, a avaliação do PSDB é que o problema do PT começa pela falta de definição ideológica. Segundo o líder tucano na Câmara, Gilberto Natalini, "o PT até hoje não definiu se é marxista ou social democrata. Eu acho que eles caminham para a social democracia. Mas fazem isso de forma sectária, golpista, petulante e mal-educada." A postura do PT, segundo Natalini, varia conforme o cargo ocupado. "Se são governo, agem de um jeito. Se são oposição, agem de outro. Tudo o que eles pregam, negam na prática", afirmou, exemplificando que o "PT, sempre contra aumentos, permitiu que sua prefeita aumentasse a tarifa de ônibus". O líder tucano rebate as acusações da prática de oposição irresponsável. "Isso é mais uma mentira deslavada."Quase oito meses depois de anunciado, o pacote de R$ 180 milhões parece ter sido abafado pelas divergências entre os dois governos. Em relação ao projeto de construção de seis piscinões, apenas dois dos sete terrenos apresentados pela Prefeitura foram aceitos pelo governo do Estado e estão em fase de realização de projeto executivo: um na bacia do Pirajuçara e outro no Córrego do Oratório (divisa com Santo André). Para as unidades habitacionais, a Prefeitura acaba de definir dois terrenos, que serão levados à aprovação do governo paulista. Quanto aos CDPs, não foi escolhido nenhum terreno, segundo informação da administração municipal.Em 2002, ano eleitoral, a relação entre os dois partidos deve ficar mais tumultuada. Alckmin e o deputado federal José Genoíno (PT) devem disputar o governo paulista. "As pesquisas têm apontado, sobretudo na capital, que a população está frustada com o discurso petista de palanque e o adversário mais importante e perigoso é o PSDB", disse Nogueira, líder do governo. Para o líder petista na Assembléia, Carlinhos Almeida, atualmente a polarização entre as duas legendas é política, programática e ideológica. "No ano que vem vai ser eleitoral também."

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