Governo e oposição terão alvos distintos na CPI

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira será criada nesta quinta numa sessão do Congresso Nacional, marcada para as 10h30. O ato, no entanto, é uma mera formalidade, porque tanto a oposição quanto o governo já definiram seus alvos preferenciais na investigação e até montaram equipes de técnicos para isso. A oposição mira o Palácio do Planalto e o governo quer vincular Cachoeira ao PSDB, a setores da imprensa, do Ministério Público e até do Judiciário.

JOÃO DOMINGOS, EUGÊNIA LOPES E VERA ROSA, Agência Estado

19 de abril de 2012 | 07h38

"O alvo é o governo. Vamos entrar 100% no ataque", resumiu o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA). "Se houver indícios de participação da mídia e do Judiciário no esquema de Cachoeira, vamos convocar, investigar e propor a punição", afirmou o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP).

Preocupado com os rumos das investigações no Congresso, o governo deflagrou uma operação para controlar a CPI do Cachoeira, interferindo na escolha dos nomes da base aliada que serão escalados para integrar a comissão. Os líderes dos partidos têm até a próxima terça-feira para indicar seus representantes na CPI.

A corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), majoritária no PT, quer indicar o deputado Cândido Vaccarezza (SP), ex-líder do governo na Câmara, para a relatoria da CPI, mas ele é desafeto de Ideli e enfrenta resistências no Planalto. Nos bastidores do governo, auxiliares de Dilma observam que é preciso muito cuidado na escolha dos nomes que terão assento na CPI porque maioria na comissão não significa, necessariamente, maioria de votos. Além disso, o Planalto avalia que o foco das investigações foi muito ampliado ao incluir não apenas as relações de Cachoeira com os políticos, mas também contratos com empresas privadas.

"Há muita chantagem dos partidos da base nessas horas e o PT precisa trabalhar para evitar que essa CPI seja um tiro no pé, com desgaste ao governo e ao próprio partido", disse um ministro ao Estado, sob a condição de anonimato. "CPI é assim: todo mundo sabe como começa, mas ninguém sabe como termina."

No duelo entre governo e oposição, ACM Neto e Tatto adiantaram outros alvos que vão mirar durante os trabalho da CPI. "Queremos ir fundo. Chamar o Waldomiro Diniz (o ex-assessor de José Dirceu que apareceu em vídeo pedindo propina a Cachoeira), o próprio José Dirceu, que foi consultor da Delta Construções, e o governador Agnelo Queiroz (petista que governa o Distrito Federal). Vamos propor a quebra do sigilo fiscal, telefônico e bancário deles", afirmou ACM Neto.

Tatto, por sua vez, disse que as evidências de envolvimento com Cachoeira por parte do governador Marconi Perillo "são muito grandes". Para ele, a CPI deve convocar o governador goiano para prestar depoimento. O petista discorda, no entanto, da convocação do correligionário Agnelo Queiroz. Não vê nenhuma ligação do governador do Distrito Federal com Cachoeira, embora assessores dos dois lados apareçam nas gravações da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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