Governo e oposição procuram setor produtivo, que pede decisão rápida

Planalto tenta convencer setor emrpesarial de que Dilma Rousseff ainda tem condições de reagir na economia, enquanto oposição aposta no ‘Fator Temer’ para reforçar percepção de que somente a troca de comando na Presidência pode recuperar as finanças do País

Alberto Bombig, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2015 | 05h00

Defensores do impeachment da presidente Dilma Rousseff, ministros de Estado e líderes da base aliada ao governo intensificarão a partir de hoje a busca por apoio no empresariado brasileiro, suportes considerados fundamentais pelos dois lados da disputa no resultado final do processo, deflagrado quarta-feira passada e que pode levar a interrupção do atual mandato da petista.

Os primeiros contatos foram feitos na sexta-feira e no fim de semana, por emissários do Palácio do Planalto, do PSDB (partido à frente da oposição), e até do vice-presidente Michel Temer (PMDB), que possui uma rede privilegiada de interlocutores na economia.

Por enquanto, o recado transmitido ao mundo político foi claro: o setor produtivo tem pressa em encontrar uma solução para a crise política. A grande preocupação dos empresários é adentrar 2016 longe de uma definição, o que geraria impactos negativos na economia.

O temor de empresários ouvidos pelo Estado e relatado aos políticos é que o processo de impeachment se arraste até a metade do primeiro semestre do ano que vem e comprometa o planejamento e, consequentemente, os resultados do ano como um todo.

Para o Planalto, se o empresariado fechar questão a favor do impeachment e transmitir esse recado para o Congresso e para as ruas, a hoje favorável situação de Dilma no Parlamento – 212 deputados votam com o governo 90% das vezes, conforme mostrou ontem o Estadão Dados – ficará muito difícil de ser mantida.

O mesmo raciocínio vale para a oposição. De acordo com um senador ouvido pelo Estado, há entre os empresários a “sensação de que o Brasil está sem governo”. Segundo ele, essa percepção ainda é insuficiente para que o setor produtivo se decida pela substituição da presidente, porém, é mais forte do que esteve em outros momentos, quando a tese do impeachment foi colocada com mais força pelos agentes políticos.

‘Confiança’. Dilma escalou seus auxiliares diretos e colaboradores na área econômica para conversar com o chamado “PIB brasileiro”. A orientação do Planalto é tentar transmitir “confiança” ao empresariado, dizendo que a presidente está “tranquila” e tem “total condição de recuperar a economia do País, desde que esteja livre da crise política provocada por seus opositores”, conforme relatou ao Estado um dos ministros convocados pela petista para a missão.

A avaliação governista é de que a gestão Dilma Rousseff perdeu terreno no empresariado, principalmente após a perda do grau de investimento do País, em setembro, mas que ainda é possível retomar apoios com a afirmação de que a gestão dela avançou a caminho de recuperar as contas públicas, com a rejeição à pauta-bomba do Congresso, por exemplo.

‘Fator Temer’. A oposição à Dilma confia na capacidade de articulação do vice-presidente com os empresários – o que os tucanos chamam reservadamente de “Fator Temer’. O peemedebista ainda tem mostrado reserva em procurar ele próprio o PIB nacional para se apresentar como alternativa de poder. Porém, o programa do PMDB para a economia, bancado e lançado por Temer mês passado em Brasília, foi entendido como um recado claro de que ele está atento à necessidade de priorizar e incrementar a atividade econômica. No texto Uma Ponte para o Futuro o partido alerta para o risco de o País atravessar um longo período de estagnação e prega a necessidade de mudanças estruturais.

Temer também possui bom trânsito com duas das mais importantes entidades empresariais do País, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Dilma conta com a ajuda da Confederação Nacional da Indústria (CNI) para tentar equilibrar esse jogo. O presidente da CNI, Armando Monteiro, é ministro do Desenvolvimento e foi um dos escalados para negociar apoios contra o impeachment.

Na quarta-feira, poucas horas depois de o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ter anunciado a abertura do processo de impeachment, o empresário Paulo Skaf, presidente da Fiesp, fazia um discurso no qual cobrava mudanças por parte do governo e dizia que a crise econômica só será resolvida se a turbulência política terminar. Skaf é filiado ao PMDB.

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