Governo e oposição não chegam a acordo sobre relatório de CPI

Depois de mais de quatro horas de negociação, governo e oposição não chegaram a um entendimento em torno do relatório do deputado Osmar Serraglio na CPI dos Correios. O anúncio foi feito pelos parlamentares de dois grupos políticos que participavam de uma reunião no gabinete do presidente da CPI, senador Delcídio Amaral. O primeiro a falar foi o deputado ACM Neto (PFL-BA), que afirmou que a oposição fez todo o esforço para tentar um entendimento. Mas isso não foi possível porque, segundo ele, o governo queria alterar pontos incontestáveis do relatório. Segundo ele, por conta disso, a matéria vai à votação sem acordo. Ele afirmou que o relatório de Serraglio tem a maioria da CPI para sua aprovação. Em seguida, falou o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), que houve um rompimento unilateral por parte da oposição. Segundo ele, já havia ocorrido avanços nas negociações com Osmar Serraglio, e no ponto mais polêmico do relatório, que era a utilização da palavra "mensalão". Segundo ele, foi construído um texto que teve a concordância de Serraglio, que reproduzia declaração da cientista política Lúcia Hipólito, dizendo: "Meses de investigação se passaram e, independentemente ou não da utilização da palavra mensalão para identificar os fatos ocorridos, a verdade é que a presente investigação parlamentar constatou a presença de repasses indevidos e ilegais a partidos e a parlamentares. Isso é prática condenável e deve ser extirpada da vida política brasileira", diz o texto que teria sido acordado entre petistas e Osmar Serraglio. Para Cardozo, a movimentação da oposição foi política. Mas ele afirmou que a bancada do governo está disposta a voltar a negociar se a oposição tiver retomado o diálogo. Neste momento, Cardozo e o deputado Maurício Rands (PT-PE) estão a caminho do gabinete do presidente do Senado, Renan Calheiros, para comunicar o rompimento da oposição.

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