Governo é o maior banqueiro do País, critica diretor do UBS

A votação do Orçamento-Geral da União em 2005 deveria ser um processo mais transparente e feito com mais antecedência. Esta é a opinião do diretor-executivo do UBS Investment Bank, Marcelo Mesquita. "O governo arrecada 40% do PIB em impostos e isso não melhora a distribuição de renda do País. Estes 40% voltam para os mesmos 40% que são taxados, não estão indo para os pobres.", criticou o executivo, durante o programa Conta Corrente, da "Globo News". "A máquina estatal hoje está necrosada, está destruída. É preciso privatizar, para diminuir o tamanho do Estado", disse. "É muito melhor você dar o dinheiro na mão da população dos 20%, 30% mais pobres do País. Quando você faz isso, você tira da brincadeira a máquina estatal onde há milhares de interesses de fornecedores e grupos de interesse que capturam esse dinheiro dos pobres. Esse é um grande drama para o crescimento do País".Há uma ligação brutal entre o crescimento do PIB, a eficiência da economia e a distribuição de renda, ressalta Mesquita. "O grande banqueiro deste País é o governo. Cerca de 50% dos créditos do sistema financeiro vêm dos bancos estatais, que vão para empresas, não para pessoas físicas", disse. Segundo o diretor do UBS, os grande bancos estatais públicos estão financiando grandes empresas achando que estão garantindo o emprego do cidadão mantendo as empresas em ambiente de juros altos. "É o oposto, se os juros caíssem para o cidadão, você estava distribuindo renda no processo de crédito público, você estaria aumentando o crescimento da economia. Estaria criando demanda para a construção civil, por exemplo, que é o setor que emprega os mais pobres e desqualificados do País".O volume de compra de dólares feita pelo Banco Central reflete o momento positivo do País, afirmou Mesquita. "País bom tem moeda forte, país ruim tem moeda fraca. Quem reclama da apreciação do real são os grupos de exportadores. O consumidor está muito feliz", disse. Para o diretor do UBS, esse volume maior que o Banco Central está comprando de câmbio é relativamente bom porque as reservas devem ser reconstruídas. No entanto, Mesquita, alerta para a velocidade na qual é feita essa reconstrução. "Reconstruir reservas muito rápido com uma Selic muito alta é ruim do ponto de vista fiscal. Porque o País aplica o dólar que compra a juros baixíssimos no mercado internacional, de 3% a 4% ao ano, enquanto toma dinheiro emprestado e a Selic custa 18%. Você tem perda cada vez que você constrói reservas".Mesquita criticou a estatização da economia no Brasil. "Muitos preços na economia são ditados por burocratas e não por forças do mercado. Ele citou como o exemplo o setor de energia elétrica, onde 50% da produção é feita pelo governo. "É por isso que há um preço errado na economia." O executivo afirmou ainda que as taxas de juros só irão diminuir quando forem feitas reformas e novas privatizações, com a diminuição do tamanho do Estado e a integração da economia. De acordo com Mesquita, o País está num círculo virtuoso. "Há um sentimento no mercado de que as coisas estão no caminho certo. Tivemos um bom ano em 2004 por que se aprovou a reforma do sistema jurídico do País, que não se esperava. A Lei de Falências foi votada. Foi um ano de grandes avanços institucionais. São essas mudanças estruturais que fazem o investidor de longo prazo mundial ver que o Brasil está se integrando ao mundo e põe mais dinheiro aqui", disse.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.