Governo e aliados afinam discurso para proteger Dirceu

Acabou o Carnaval e o longo recesso determinado pelos presidentes da Câmara, João Paulo Cunha, e do Senado, José Sarney, para esfriar a crise política vivida pelo governo em função das denúncias de corrupção divulgadas pela revista Época contra o ex-assessor palaciano Waldomiro Diniz. As forças políticas do governo começam nesta segunda-feira a afinar o discurso acertado por João Paulo, Sarney e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante a semana passada, para blindar o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu e restringir o caso a uma investigação policial contra o Diniz e as casas de jogos. O depoimento do empresário Carlos Cachoeira, marcado para hoje, na Polícia Federal, e do ex-assessor palaciano, amanhã, são aguardados pela base governista como pontos de partida para a articulação que se fará esta semana. De olho nas revelações dos dois depoentes, os líderes governistas na Câmara e no Senado vão chamar suas bancadas para acelerar o processo de discussão nos temas que interessam ao governo. No Senado, o objetivo é impedir a criação das duas comissões parlamentares de inquérito ? uma para investigar Diniz e outra para averiguar o uso de casas de bingo e caça-níqueis na lavagem de dinheiro. Ou a Mesa Diretora segura os pedidos e não as institui, ou os aliados terão de tirar dos requerimentos as suas assinaturas de apoio. A CPI que investiga o bingo já tem 33 assinaturas. A que pretende investigar Diniz, ainda não.Na Câmara, os governistas vão se concentrar nesta semana em acelerar a discussão e aprovação da medida provisória 168 como está ? proibindo o funcionamento dos bingos no País. Paralelamente, com o esforço também do Executivo, as vozes mais importantes da base aliada vão anunciar e propor a discussão dos temas da chamada agenda positiva. No Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o ministro do Desenvolvimento, Luís Fernando Furlan, apresenta sua minuta de política industrial esta semana. A medida atende determinação do presidente Lula que pediu pressa na apresentação da proposta, semana passada. Os deputados aliados deverão chamar a si a articulação para aprovar ainda esta semana o projeto de lei que institui a parceria público-privada (PPP) em plenário. Os senadores têm ainda de destrancar a pauta do plenário do Senado para votar a medida provisória que regulamenta os investimentos no setor elétrico. E o relator do projeto que altera a Lei de Falências, senador Ramez Tebet (PMDB-MS), deverá ser abordado pelas lideranças governistas para acelerar a apresentação do seu parecer. As primeiras avaliações feitas sobre o andamento deste projeto indicavam que o texto só seria sancionado ao final deste semestre. Pauta de votaçõesAs bancadas do governo devem reunir-se amanhã nas duas Casas e o presidente da Câmara, João Paulo Cunha pode fazer uma reunião de líderes na quarta-feira para fechar uma pauta de votações no plenário e nas comissões. Na área econômica, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, já deve divulgar detalhes das novidades anunciadas ontem no relacionamento com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e sobre investimentos na construção civil. A disposição da oposição, no entanto, é outra. O autor do requerimento para a instituição da CPI de Waldomiro Diniz, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MS) retomará a sua proposta de colher as assinaturas que faltam para a sua abertura. Os líderes oposicionistas vão exigir do governo um esclarecimento definitivo sobre se o ministro José Dirceu teria ou não algum envolvimento com as gestões de Diniz junto à Caixa Econômica Federal (CEF) e a Gtech, empresa que detém o sistema eletrônico de sorteio das loterias daquela instituição. Caberá ao governo mostrar se terá capacidade de chamar a oposição para a sua agenda positiva e imobilizar os esforços dos adversários para politizar a questão.

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