Governo dobra distribuição de camisinha feminina

O Ministério da Saúde vai duplicar, a partir do ano que vem, a distribuição de preservativos femininos para grupos de mulheres com maior risco de contaminação com o vírus da aids. Em vez dos 2 milhões de camisinhas compradas anualmente desde a criação do projeto, em 2000, o governo vai passar a adquirir 4 milhões em 2003. O objetivo da distribuição é reduzir o risco de transmissão do HIV em mulheres consideradas muito vulneráveis, como prostitutas, usuárias de drogas injetáveis, parceiras de drogados, etc. A novidade da camisinha feminina é que ela permite que a mulher se proteja da doença mesmo contra a vontade do parceiro. "Essa será mais uma arma contra a aids, que poderá ser usada pela mulher independente da vontade masculina", explica Paulo Teixeira, responsável pela Coordenação Nacional de Aids, órgão do Ministério da Saúde. Essa nova alternativa para prevenção já foi aprovada pelas mulheres que testaram o preservativo. Em um estudo feito pelo ministério em 1999, 2.500 brasileiras de sete cidades do País experimentaram a camisinha. A pesquisa mostrou que mais de 70% delas aprovaram o método.As 4 milhões de camisinhas começam a chegar aos programas de prevenção da aids em julho do ano que vem. A intenção é manter a distribuição limitada apenas a grupos de risco porque a camisinha feminina ainda tem um custo alto. Para a compra dos 4 milhões de preservativos, o governo brasileiro vai gastar US$ 1,2 milhão em 2003. Mas a decisão do ministério de aumentar a distribuição transforma o Brasil no único País do mundo que fornece preservativos feminino em larga escala. "Alguns países fazem pequenos projetos com camisinhas para mulheres, mas uma grande distribuição como a nossa não existe no resto do mundo", observa Teixeira. Além de dobrar a distribuição de camisinhas femininas, a Coordenação Nacional vai fazer campanhas estimulando o uso do preservativo. No próximo dia 19, será lançado no Rio de Janeiro, durante seminário de avaliação das experiências com a distribuição do preservativo feminino no Estado, um vídeo que ensina a usar a camisinha - já que seu uso exige que a mulher aprenda primeiro como fazer a introdução correta do preservativo na vagina. "Como a camisinha feminina não é tão fácil de usar como a masculina, é preciso que as mulheres que recebem o produto saibam como usar de forma correta."

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