Governo do RJ assume o combate à dengue

O governo fluminense anunciou oficialmente estar assumindo a coordenação estadual do combate à dengue, que registrou em 2002 a maior epidemia da história do Estado, com mais de 200 mil casos e 61 mortos. "Assumimos o mosquito", anunciou o secretário de Saúde, Leôncio Feitosa, após solenidade em que a governadora Benedita da Silva (PT) lançou o Plano Permanente de Combate à Dengue. Ainda em elaboração, o plano já tem alguns pontos definidos, como o engajamento de 8.800 agentes de saúde, que façam pelo menos seis visitas anuais a cada domicílio. As ações deverão começar em agosto."Se não combatermos de forma intensiva o vetor hoje, não será possível deter uma nova epidemia no verão", advertiu o médico Roberto Medronho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele é um dos integrantes da Câmara Técnica e Científica de Assessoramento das Ações de Combate à Dengue no Estado do Rio de Janeiro, formada por profissionais de universidades e entidades de pesquisa e de combate a doenças - em sua maioria, críticos à forma como a epidemia vinha sendo combatida. A governadora deu posse aos integrantes do órgão, que está preparando o plano.Medronho explicou que o Estado quer que, enquanto os agentes não forem contratados e treinados, os bombeiros e o Exército façam o combate aos mosquitos Aedes aegypti, transmissores da doença, e às suas larvas. Alguns dos mata-mosquitos demitidos há alguns anos pelo Ministério da Saúde poderão ser recontratados, embora temporariamente. Nem todos os agentes de saúde ficarão com o Estado, já que muitos municípios já contrataram alguns. Uma das metas é que cada domicílio receba uma visita de um agente a cada dois meses.Apesar do anúncio em solenidade concorrida no Palácio Guanabara, sede do governo estadual, nenhuma autoridade estadual quis fazer uma estimativa de quanto custará o combate permanente à dengue. "Ainda estamos levantando os recursos, tivemos apenas duas reuniões", disse Medronho. Ele garantiu que haverá recursos federais e do Orçamento estadual para enfrentar a moléstia.Feitosa acusou a administração anterior, de Anthony Garotinho (PSB), de ter cometido "crime de responsabilidade sanitária" ao supostamente se omitir no enfrentamento à doença, mas a governadora evitou as críticas. "Não podemos, de forma nenhuma, colocar aqui uma responsabilidade", disse ela. "Até estava pensando o seguinte: não pode ter jogo político. Não pode, neste momento, ter um sentimento de culpa. É momento de avançarmos."Até 23 de maio, foram registrados no Estado 224.684 casos de dengue clássica e 1.728 do tipo hemorrágico da doença.

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