Governo do PR corta pagamento de servidor e professor em greve

O governador do Paraná, Jaime Lerner (PFL), determinou nesta segunda-feira a suspensão do repasse de recursos para as universidades estaduais de Londrina, Maringá e Cascavel, que estão em greve há mais de 160 dias, prejudicando cerca de 31 mil estudantes. O comando de greve das universidades vai recorrer à Justiça.Mantida a decisão, os professores e funcionários deixam de receber salários este mês. De acordo com Kennedy Piau, da Universidade Estadual de Londrina, no início da greve o governo já havia suspendido o pagamento dos salários, mas o Tribunal de Justiça garantiu o pagamento e proibiu retenções posteriores.Ele disse que a assessoria jurídica estuda se entrará com mandado de segurança preventivo ou se espera a ação do governo para acionar a Justiça. Caso haja a suspensão do pagamento, os grevistas podem pedir a prisão do governador, alegando descumprimento de ordem judicial. O governo repassa mensalmente cerca de R$ 20 milhões às três universidades em greve."Não tem sentido continuarmos repassando recursos, porque os serviços educacionais e de saúde não estão sendo prestados", justificou o secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhaftig. "Nós já fizemos o que era possível, continuamos negociando e repassando os recursos, mas se isso não sensibilizou o comando, nós temos que sensibilizar de outra forma."Segundo ele, o reajuste salarial está descartado. "O governo tem sido coerente quando afirma que não temos nenhuma condição de proporcionar qualquer reajuste em razão da Lei de Responsabilidade Fiscal", afirmou. Wahrhaftig ressaltou que o projeto de lei enviado à Assembléia Legislativa prevendo repasse de 9% da cota-parte do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) às universidades, significa "recursos excepcionais nos próximos anos".Os sindicatos não gostaram da proposta e estão fazendo pressão para convencer os deputados a rejeitarem o projeto de lei. Segundo os sindicalistas, o volume a ser destinado pela lei é o mesmo já previsto no orçamento deste ano. Além disso, reclamam que o projeto de lei acaba com a representação de estudantes e funcionários no Conselho Universitário e promove maior ingerência externa na universidade. Para o professor Luiz Fernando Reis, da Universidade de Cascavel, a suspensão do repasse de recursos faz parte da estratégia para "desmontar a greve". "O governo já tentou ações judiciais, já passou informações distorcidas à sociedade e desqualificou os líderes do movimento", disse. "Não tem porque suspender o movimento, visto que não há nenhum ganho imediato", afirmou Reis.Os cerca de 4 mil professores e 6.700 funcionários das três universidades em greve pedem reajuste salarial de 30%. Ele acredita que a decisão do governo de reter os recursos pode mobilizar os reitores, pois estaria ferindo a autonomia universitária. O governo abriu a possibilidade de pagar apenas os salários de alguns funcionários e professores que continuam trabalhando. "Desde que a administração das universidades nos encaminhe a relação desses funcionários com os respectivos salários e a comprovação de que efetivamente trabalharam, nós repassamos os recursos", disse o secretário.

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