Governo do Paraná apreende jornais da CUT

A Receita Estadual do Paraná e a Delegacia de Desvio de Cargas de Curitiba apreenderam um caminhão com 100 mil exemplares de jornais que se destinavam à Central Única dos Trabalhadores (CUT). O governo alegou que o motorista do caminhão, que teria sido abordado em uma grande blitz promovida pela Receita Estadual, não possuía a devida nota fiscal, e o manifesto não era compatível com o conteúdo do carregamento. Ainda segundo o governo, os jornais contêm calúnias e injúrias contra o governador Jaime Lerner, o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso e outras autoridades.A CUT disse que as denúncias contidas nos jornais são de conhecimento público, e o objetivo do jornal é convocar a população para um protesto contra a venda da Companhia Paranaense de Energia (Copel), no dia 11 de junho. Em razão do conteúdo da publicação, o advogado Alcides Bittencourt Pereira entrou, em nome do governador, com ações cíveis e criminais contra os autores do texto.O secretário de Comunicação Social do Paraná, Rafael Greca, também acionou seu advogado para ações judiciais, alegando estar sendo ofendido pela publicação. Segundo o governo, o material foi impresso em São Paulo pela Associação Nacional de Cooperação Agrícola (Anca). O assessor de Imprensa da CUT no Paraná, Guilherme Erwin, disse que o jornal é do Fórum de Luta por Trabalho, Terra e Cidadania. "A apreensão foi um ato político", afirmou. A advogada da Rede Nacional de Advogados Populares, Teresa Cofré, que à noite ainda estava na delegacia, disse que não havia nenhum problema com a nota fiscal da carga. "Essa blitz é muita suspeita", disse. Ela preferiu não comentar o conteúdo dos jornais: "Ainda não vi".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.